A operação para evacuar e enviar ajuda humanitária aos civis sitiados na parte antiga da cidade síria de Homs foi retomada ontem, apesar da região ainda ser alvo de disparos e explosões. Ao menos 420 civis foram retirados ontem da região, segundo o governador da província, Talal Barazi, citado pela televisão estatal.
A operação, que obedeceu a um acordo firmado sob proteção da Organização das Nações Unidas (ONU), deve continuar, afirmou Barazi.
O governador de Homs disse ainda que as autoridades estão prontas para oferecer “todo tipo de respaldo e ajuda’’ para evacuar essas pessoas da parte antiga e levar assistência humanitária aos civis que desejarem permanecer. Várias organizações informaram que as forças do regime sírio atacaram e bombardearam civis que esperavam ser evacuados em Homs, o que deixou mortos e feridos.
O OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos), com sede em Londres, confirmou em comunicado o envio de alimentos e a evacuação de alguns civis e que houve disparos e explosões na região. O órgão, no entanto, não pôde confirmar o número de vítimas nestes atentados.
Ontem, o Crescente Vermelho sírio informou que seus integrantes foram feridos por rebeldes em um ataque a veículos de transporte de ajuda às áreas sitiadas da cidade de Homs.
Conforme a organização, o comboio foi atingido por morteiros e tiros que feriram um motorista. Os veículos transportavam suprimentos humanitários.
“Foram registrados tiros contra os caminhões de ajuda e equipe’’, declarou o Crescente Vermelho em sua conta no Twitter, sem acusar explicitamente nenhuma parte nem Exército nem rebeldes.
Regime e rebeldes trocaram acusações sobre a autoria dos disparos, que ainda violaram a trégua de três dias selada nos últimos dias com o intuito de ajudar a população da cidade, sitiada há mais de um ano e meio.
O começo da retirada
Anteontem, 83 civis já haviam sido retirados do centro da cidade. Alguns deles tinham sinais de desnutrição, após viver sob um cerco por mais de um ano e meio, em um dos redutos do levante contra o ditador Bashar al-Assad, que começou em 2011.
A revolta se transformou em uma insurgência armada depois que as forças do presidente reprimiram violentamente os protestos.
Também ontem, na cidade de Aleppo, as tropas do regime sírio retomaram o controle de grande parte da prisão central. Nos combates, 47 pessoas morreram, conforme a ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).
Não há informações confiáveis sobre o que poderia ter acontecido com os prisioneiros.
Em Aleppo e em outras regiões, o regime continua seus ataques aéreos com barris de explosivos, que mataram ao menos 260 pessoas, incluindo 73 crianças, em uma semana, indicou a mesma ONG.
Em seus quase três anos de duração, o conflito na Síria já deixou mais de 136 mil mortos, segundo o OSDH, e milhões de deslocados internos e refugiados.