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Município e Cremesp iniciam investigações

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A Secretaria Municipal de Saúde instaurou um processo interno para investigar a morte da atendente Thaís Cini Lima, 19 anos. Da mesma forma, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) também instaurou sindicância para apurar o caso.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, preliminarmente, as investigações não detectaram qualquer conduta negligente dos médicos que atenderam a paciente. Mas o processo, que ainda não tem data para ser finalizado, poderá apresentar outra conclusão.

“Não temos interesse em acobertar qualquer erro que eventualmente tenha ocorrido. Vamos esmiuçar todas as fases do atendimento prestado dentro da rede municipal até o período em que ela passou no Hospital de Base”, adianta.

Monti lembra que os médicos que atenderam Thaís nas duas primeiras vezes em que ela procurou a Unidade de Pronto Atendimento do Geisel/Redentor (28 e 29 de janeiro) eram cirurgiões, um deles especializado em gastroenterologia, que teriam condições plenas de identificar a apendicite.

“A apalpação do abdômen só permite o diagnóstico quando há inflamação no peritônio (membrana que recobre a parede abdominal). E a paciente tinha, inicialmente, um quadro de diarreia, vômito e dor abdominal”, justifica.

Segundo ele, esta sintomatologia pode indicar diversas disfunções no organismo e a negligência só se configuraria caso o quadro fosse claro para alguma doença que não tivesse sido detectada pelos médicos.

“Além disso, (no dia 2 de fevereiro) a paciente não aceitou aguardar no Pronto-Socorro para fazer os exames e assinou a própria alta”, aponta.

Questionado sobre o fato de Thaís ter sido submetida à lavagem intestinal no dia 1º de fevereiro porque estava com o abdômen inchado e o médico suspeitou de retenção de gases e fezes, o secretário afirmou que o procedimento não agravou o quadro da jovem. “Se a paciente não tinha o quadro sugestivo, poderia ter ido dez vezes à UPA e os médicos não conseguirem descobrir qual era o problema que ela tinha, independentemente da capacidade destes profissionais”.


Família acionará a Justiça

A família da atendente Thaís Cini Lima, 19 anos, informou que irá acionar a Justiça para exigir que o município seja punido por conta da demora no diagnóstico da paciente, que acabou morrendo devido a uma infecção generalizada.

Também pretende procurar o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) para cobrar a punição dos médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Geisel/Redentor envolvidos no atendimento prestado à jovem.

“O município sabe que fez coisa errada, tanto é que nem querem entregar o prontuário da Thaís para a família. Falaram que só entregam com uma ordem judicial. É um absurdo, total descaso, a forma como a rede pública tratou e ainda está tratando o caso dela”, reclama o cunhado da paciente, Fábio de Oliveira, 28 anos.

Ainda ontem, segundo ele, a família registraria boletim de ocorrência para que a polícia instaure inquérito para começar a investigar a denúncia.

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