Munir, ótima meia-noite, escrevo-te porque não te conheço, mas porque te reconheço! Conhecer e reconhecer, que são transitivos diretos transitando em busca de um objeto direto, no entanto, buscam, sem perceber, um sujeito composto, de nome Munir!
Amigo de Letras, creio que você tenha conhecido todo o alfabeto, ao contrário deste ser que sabe conhecer e reconhecer, que já sabe algumas letras, representações gráficas dos sons, por isso, tão confuso e em parafuso! Por que nos abandonaste? Alguns, indefinidos pronomes, nomes com ou sem sobrenomes, dirão que aproveitei a oportunidade, outros, indefinidos menos, vociferarão que aproveitei a idade oportuna para falar de quem não conheço, mas reconheço!
Dizem que alguém, outro indefinido, torna-se famoso porque falam muito dele e isso foi, é e será intento, talvez a contento, quiçá não a sofrimento, coisa de Mariú Zalaf, a pessoa que outrora e agora ressoa Munir!
Não me interessa por que escreveste textos, pretextos e contextos seduzem-me, não me importa se sua Academia tem exercícios, sejam de aparelhos ou análise sintática, importa-me e exporta-me que você foi e será a Academia! Na verdade, eu estou prostituto, porque foram dar aulas ao Eterno. Adenil, Chamadoira, Isaias Daibem e agora você, Munir. Será que as letras serão fonemas e interjeições de dor, o instituto será luto?
Poeta, porreta, profeta, você deu-me um abraço na missa de sétimo dia do Chamadoira da Igreja São Cristóvão, rezada pelo padre Ricci e disse-me: "Você escreve muito bem!". Por que você fez isso comigo, agora acredito que escrevo e por isso endereço-lhe estas mal traçadas linhas, tudo culpa da Mariú, que orgulhosa de seu ser, e nós, os boêmios na chácara do Wagnão Gonçalves Teixeira, sem te conhecer, imaginávamos o semideus que Munir deveria ser!
Munir, sei que você teve que ir, o Amor e Caridade possui mais uma lacuna, o vazio ressoa um pio. A Academia até hoje à tarde gemia, mas sobrevivia, seus filhos, orgulhosos, sabem quem é você. Meu medo, amigo desconhecido, é que o alfabeto sem suas letras torne-se analfabeto e que o mundo, não mais parceiro, poeta, boêmio, vernáculo, torne-se exatamente exato e, deveras, chato!
Munir Zalaf, escreva e transcreva por nós, "mande notícias do mundo de lá, diz quem fica, me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando. Coisa que gosto é poder partir sem ter planos, melhor ainda é poder voltar quando quero..." Adeus e a Deus, Munir!
Sinuhe Daniel Preto, um aluno de Letras sem letras por um momento