Presidente do Parlamento da Venezuela e segunda pessoa mais importante na política local, Diosdado Cabello estreou ontem programa semanal no horário nobre da TV estatal com o objetivo de não dar trégua aos adversários -como indica o próprio nome da atração.
"Con el mazo dando" (algo como "batendo com o porrete", em espanhol) teve a presença do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, visto como rival de Cabello no governismo.
Em frente às câmeras, no entanto, houve sorrisos e afinidade, com os dois usando boa parte das duas horas do programa para ataques a opositores.
Cabello afirmou que a intenção do programa é "criar uma trincheira midiática" para defender o legado do líder Hugo Chávez, morto há um ano, "golpeando com ideias os discursos dos opositores". O símbolo do programa é um porrete com pregos.
"Tomara que as críticas da oposição sem liderança sejam muitas. Não podemos ficar calados diante dessa conspiração que está aí", declarou Cabello.
Nos primeiros 45 minutos de programa, ele disse que os adversários estavam se dividindo e não seriam capazes de derrotar os chavistas.
O país vive uma crise econômica, com inflação recorde e escassez de alimentos.Na presença de Maduro, Cabello comentou uma apreensão de drogas na fronteira com a Colômbia, novas medidas para controlar a crise e o anúncio de obras de infraestrutura no país.
Maduro ainda reiterou acusações de conspiração e disse que seus adversários não conseguiriam governar o país caso o derrubassem.
"A direita e a oligarquia desse país não poderiam governá-lo nem um dia, 24 horas. Nisso eles não pensam."
Chávez também se fez presente.
Os olhos do ex-presidente abrem a vinheta do programa. Em seguida, foi exibido um clipe de uma cantora em homenagem a ele.
O painéis no cenário do programa têm ainda fotos do libertador venezuelano, Simón Bolívar, e um mapa da América do Sul.
Cabello admitiu não ter experiência em televisão durante a conversa com Maduro, mas disse que ele e a equipe têm "boa vontade e o espírito de Chávez nos guiando".