Polícia

Jazigo doado pode receber andarilho

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Cirlene mantém a decisão de doar o jazigo e pagará a taxa de sepultamento

Se existe um desfecho feliz na história do misterioso japonês que morreu atropelado, ele apareceu. Finalmente foi esclarecida a autorização para que o andarilho possa ser sepultado em um jazigo cedido por Cirlene Terezinha Ramos Lacerda, 59 anos, uma das colegas do anônimo eremita.

Conforme noticiado na última edição do JC, a mulher, assim como outros que o conheceram na cidade, não se conformou com o fato de ele ser enterrado como indigente.

O delegado que cuida do caso, Milton Bassoto Júnior, explicou à reportagem, na tarde de ontem, que não há nada que impeça o sepultamento em um jazigo doado.

“Eu acredito que não existe nenhum óbice de ele ser sepultado em um jazigo particular. Não há nenhum problema, desconheço legislação que fale que o sepultamento deve ser aqui ou ali. Eu só preciso da autorização de sepultamento da Emdurb”, esclareceu.

A assessoria de comunicação da Emdurb acrescentou que, inicialmente, acreditava-se que o jazigo tinha apenas uma gaveta, por isso não podia receber mais um corpo. No entanto, ontem pela manhã, o setor de necrópoles confirmou que no jazigo particular, localizado no Cemitério da Saudade, há espaço para o sepultamento do andarilho.

Desfecho?

A doadora do jazigo disse que pagará a taxa de sepultamento da Emdurb. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da empresa municipal, no columbário do Cemitério Cristo Rei, o enterro seria gratuito. No entanto, em qualquer outro cemitério de jazigo particular, a taxa de sepultamento custa R$ 167,69.

“Eu já sabia deste valor. Quando fui hoje (ontem) de manhã na Emdurb, me informaram dessa taxa. Eu vou pagar. Estou muito feliz com a notícia e mantenho a minha decisão. Se a família aparecer depois e quiser retirar ele de lá, tudo bem. O que importa é que ele tenha um jazigo”.

Até o fechamento desta edição, o sepultamento seguia programado para hoje, no período da tarde, em horário ainda não definido.


Ourinhos

Depois das reportagens veiculadas, muitas pessoas entraram em contato com o JC dizendo conhecer o misterioso andarilho. Diversas pistas e nomes de famílias chegaram à Polícia Civil, mas nada conclusivo até o momento, segundo informou o delegado Milton Bassoto Júnior.

Na tarde de ontem, a reportagem conversou com um morador de Ourinhos, que preferiu não revelar sua identidade, e informou que o japonês passou pelo albergue da cidade. “Fui até lá, mas as informações de cadastro são confidenciais. Talvez a polícia consiga quebrar esse sigilo”, disse.


Até no Japão

Ontem também entrou em contato com o JC um leitor bauruense que mora no Japão atualmente. Vagner Augusto da Silva disse que conheceu o japonês em um sítio em Duartina, onde o chamavam de Koshiro.

“Atualmente estou no Japão, trabalho como cabeleireiro, e conheci o Koshiro, assim chamado em um sítio de Duartina, onde ele trabalhava para uma família japonesa. Confesso que foi muito difícil tirar uma palavra dele, ele era realmente misterioso. Não aceitava mesmo nada de ninguém. Eu sempre falava com ele em japonês e cheguei a perguntar pra ele sobre sua família, porém em vão. Mesmo aqui do outro lado do mundo vou acompanhar o desfecho deste mistério”, escreveu o leitor.

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