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Argentina: em pronunciamento, Cristina ataca mercado e mídia

Folhapress
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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, acusou o mercado financeiro e a mídia de querer acabar com seu governo após a desvalorização do peso no fim do mês passado.

"(Eles)Têm que entender que fazer voar pelos ares o governo é fazer isso com a Argentina. Mas não puderam, porque o dólar está baixando e estão entrando divisas", afirmou.

A declaração da presidente foi feita na noite desta quarta-feira (12) em um pronunciamento por cadeia nacional de rádio e TV, o segundo em uma semana.

Nos últimos dias, após o banco central do país recuperar uma normativa que limita os ativos dolarizados dos bancos em 30%, o dólar oficial passou de 8 para 7,80 pesos.

Citando uma entrevista do economista Miguel Bein, que trabalhou nos governos de Raúl Alfonsín e Fernando De la Rúa, na qual ele atribui a disparada do dólar a uma tentativa de desestabilização, a presidente afirmou que esse intento não partiu "apenas do mercado financeiro, mas também dos meios hegemônicos que há tempos querem me ver pelos ares".

E completou: "Não vou voar porque não sou bruxa, mas quero que vocês vejam como [eles] envenenam suas vidas e os fazem tomar decisões erradas com seu dinheiro".

Depois, Cristina voltou a chamar os empresários do país de mentirosos por causa do aumento nos preços de alimentos. "Qual o motivo de aumentar o preço da erva-mate? É um insumo importado? Isso se chama especulação", disse. "Se continua a especulação, há um efeito dominó."

A presidente também fez um pedido ao Judiciário do país para que sejam mantidas as multas aos estabelecimentos que não cumprirem com acordos de preços congelados, já que as empresas irão recorrer.

"Faço um chamado ao poder Judiciário, que muitas vezes apresenta preocupação com os interesses dos empresários, para que também se ocupe dos consumidores."

Empresários

Antes do pronunciamento de Cristina, a UIA (União Industrial Argentina) havia divulgado um comunicado criticando as acusações do governo feitas aos empresários nos últimos dias.

"Acusar empresas e empresários pelo recente incremento nos preços não só é equivocado como também obstrui o diálogo", diz a nota da entidade.

No final da tarde, deputados da oposição divulgaram dados da inflação de janeiro, aferidos por consultorias privadas.

Segundo os legisladores, a inflação foi de 4,61%, a mais alta em um único mês, desde março de 2002. Já a acumulada dos últimos 12 meses ficou em 30,78%.

    


 

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