Pré-candidato ao governo paulista pelo PMDB, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, esteve ontem em Bauru, após inaugurar escola do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Agudos. No JC, defendeu para a indústria nacional condições isonômicas às de outros países. Só assim o segmento teria como ser competitivo e crescer.
“O problema não é da porta para dentro das fábricas, é da porta para fora. Se pegarmos a empresa mais competitiva do mundo e instalá-la no Brasil, no dia seguinte ela perderá competitividade. Tudo é muito amarrado, caro”, comenta. O resultado é produção cara e, consequentemente, facilidades para importação.
De acordo com Skaf, o cenário que trava não só o crescimento industrial como a economia do Brasil contempla juros elevados em relação a outros países, custo alto de logística, falta de infraestrutura, crédito difícil e carga tributária elevada. “É muita dificuldade para quem quer produzir”, acrescenta.
Conforme a reportagem divulgou, a produção industrial voltou a decepcionar no final do ano passado e levou os economistas a baixarem as estimativas para o crescimento brasileiro para este ano. Com uma forte queda em dezembro (3,5% em relação a novembro), a indústria fechou o ano com aumento de 1,2% da produção em relação a 2012. Já o emprego na indústria brasileira fechou o ano de 2013 com queda de 1,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Balança
“Se a indústria crescer 3,7% neste ano, empatará. Dá crescimento zero. O que eu sinto é bastante dificuldade, principalmente para a indústria de transformação. O crescimento da economia brasileira não vai ficar acima de 1,5%. Mas o Brasil precisa de taxa de crescimento de 4% a 5%, precisa de menos burocracia para quem quer trabalhar”, reitera. Para piorar, agora surgiu o fantasma da falta d’água e energia, que ronda as empresas de regiões metropolitanas, como a de São Paulo.
Com tantos fatores atrapalhando o desenvolvimento industrial, não surpreendeu o resultado da balança comercial brasileira, que encerrou 2013 com um superávit de apenas US$ 2,561 bilhões. Conforme o JC veiculou, foi pior resultado desde o ano 2000 e 86% inferior ao saldo de US$ 16,4 bilhões do ano anterior. “Era esperado por duas razões. Pelo câmbio e pelos mercados internacionais. As coisas evoluíram. O câmbio que era um grande problema, melhorou. O mercado internacional está melhorando, mas o que falta é o País crescer”, ressalta.
Diante do contexto, a dificuldade na contratação de mão de obra qualificada é um dos menores problemas para o segmento. “Isso é pontual, não é um problema geral de todo o Estado. Muitos setores estão muito bem atendidos, outros não, como é o caso da construção”, afirma.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 74% das empresas de construção têm problemas para encontrar trabalhadores qualificados na hora de contratar.
Investimento pesado
Paulo Skaf faz questão de reiterar o quanto o setor da indústria tem investindo na construção de escolas em território paulista, como a inaugurada ontem em Agudos. No entanto, garante que a iniciativa nada tem a ver com eventual estratégia para alavancar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo pelo PMDB, a ser confirmada em junho, durante a convenção da legenda.
Além das viagens, por conta de seu projeto de educação implementado no Estado, ele protagonizou as propagandas institucionais não só da federação, quanto do Sesi e do Senai, entidades que também preside. Os tucanos, então, recorreram à Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo, em janeiro, para denunciar propaganda eleitoral antecipada.
“Apela para o tapetão quem tem medo de perder. Isso é normal. Mas é uma afirmação falsa. Vou continuar até dia 31 de maio no exercício da função. Isso não tem nada a ver com eleições, não estou antecipando coisa alguma, estou fazendo o meu trabalho. Não posso pará-lo um ano antes porque existe uma perspectiva futura de candidatura. Governador, presidente também estão trabalhando, também viajam”, diz. Resistente a comentar sobre eleições e sempre reiterando não ser candidato a nada, afirma que como cidadão brasileiro acredita que muita coisa deva mudar na gestão pública. “Ela tem de ter compromisso com o resultado, respeito das pessoas”, afirma. Critica o fato do governo do estado não ter executado todo o orçamento do ano passado e comenta a resistência ao PT do eleitorado no Interior paulista, que também quer uma alternativa aos 20 anos do governo do PSDB. No levantamento de dezembro do Instituto Datafolha, divulgado em dezembro, o empresário apareceu com 19% das intenções de voto.