Política

Henrique Meirelles acredita em País forte no ?pós-Copa?

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-presidente do Banco Central do Brasil Henrique Meirelles esteve em Bauru no último final de semana, quando participou do encontro regional de seu atual partido, o PSD. Pré-candidato ao Senado, ele esteve acompanhado do presidente nacional da legenda, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, pré-candidato a governador, além de outros militantes, em evento que ocorreu nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Meirelles foi o presidente do Banco Central que ficou por mais tempo no cargo – exatos oito anos, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010, nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua indicação, no final de 2002, causou surpresa, uma vez que ele havia acabado de ser eleito deputado federal pelo PSDB de Goiás, seu estado natal. Pesava a favor de Meirelles o vasto currículo na área econômica: formado em engenharia civil pela USP, é mestre em Administração pela UFRJ e ficou entre 1974 a 2002 no Bank of Boston, passando por importantes cargos internacionais na instituição.

Durante visita a Bauru, Henrique Meirelles falou sobre o momento econômico atual do Brasil e disse acreditar em um cenário favorável após a Copa do Mundo, contrariando expectativas pessimistas. Ele comentou também sobre as possibilidades de sair candidato – apesar de, internamente, o PSD considerar como praticamente certa sua candidatura.

Momento econômico

“Quando assumi o Banco Central (2003) o Brasil vivia um momento de crise, com inflação elevada e problemas cambiais. Foi feito um trabalho de muito esforço visando à estabilização da economia brasileira, e isso gerou condições para que o país crescesse. Nós tínhamos um desemprego elevado, e pouco crédito. A estabilização da economia permitiu uma melhora. O momento agora é outro, esta etapa já foi vencida, agora é o momento em que o Brasil precisa investir em produtividade: educação, portos, ferrovias. É uma etapa em que o País precisa fazer com que cada brasileiro produza mais e melhor. O Brasil está crescendo a taxas menores, mas está crescendo”, disse.

Consumo x exportação

“Na realidade, o Brasil precisa estar bem nas duas situações. O consumo interno é muito importante, uma das forças do Brasil atual é a grande classe de consumidores que passou a existir na última década, através da criação de empregos e também através de programas sociais. Agora, não dá para viver só do mercado interno, afinal o País importa muita coisa, e para pagar isso é necessário exportar”, adverte.

“Tenho na realidade um convite. Vamos amadurecer, temos tempo, afinal a convenção será em junho. Tenho compromissos no setor privado, e estou analisando com responsabilide”, afirmou o ex-presidente do Banco Central.


Exemplos de Japão e Coréia

“Em primeiro lugar, eu espero ver o Brasil campeão na Copa do Mundo (risos). Agora, não é necessário haver uma crise, o País pode capitalizar isso, fazer um evento bem feito e divulgar bem sua imagem no Exterior. Um evento desta magnitude atrai turistas para o Brasil não apenas na Copa do Mundo, mas também depois, pois a imagem que fica é algo importante. Nós temos um exemplo clássico que é a Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão (2002), eles organizaram uma Copa muito boa, e isso alavancou muito a venda dos produtos coreanos”, disse Meirelles.

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