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Quando teve a filha Larissa, Silvia Flora Parra Rodrigues Pereira, 39 anos, decidiu deixar o emprego com carteira assinada para iniciar o próprio negócio. Passados 13 anos de uma trajetória bem sucedida, hoje ela comanda um salão de cabeleireiros que atende, em média, 120 clientes por mês.
Silvia integra um grupo que tem se tornado cada vez maior em Bauru: o das mulheres empreendedoras. Segundo dados revelados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) a partir da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM ou Monitoramento Global de Empreendedorismo), elas já correspondem, no Brasil, a 52% dos novos empreendedores, aqueles com menos de três anos e meio de atividade.
E Bauru segue a mesma tendência. De acordo com o gerente do Escritório Regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, cerca de 52% das consultas mensais realizadas pela entidade são para atender mulheres interessadas em abrir o próprio negócio na cidade. Há dez anos, o percentual não ultrapassava os 30%.
A percepção é de que, do mesmo modo com que, no passado, elas se lançaram no mercado de trabalho, agora também começam a ocupar o mesmo espaço que os homens nos negócios.
Segundo Debiasi, grande parte deste fenômeno está relacionada ao crescimento do poder de consumo da população e, por consequência, da demanda por serviços específicos, tais como os de alimentação, estética e moda, áreas que são bastante visadas pelas mulheres que querem ter o próprio negócio.
“Muitas já atuavam na informalidade, fazendo bolos, salgados, vendendo roupas em domicílio ou atuando em pequenos salões de beleza. Com o aumento da procura, conseguiram ampliar e formalizar seus negócios”, pontua.
Reviravolta
O gerente do Sebrae em Bauru também atribui o maior interesse à criação da figura jurídica do Empreendedor Individual (EI), que garante isenção de tributos federais, entre outros benefícios, a empreendedores que faturam até R$ 60 mil por ano e possuem apenas um empregado contratado.
“Isso foi em 2009. Nestes últimos três anos, nove mil pessoas saíram da informalidade para registrar seus negócios como EI. E as mulheres já estavam neste contexto”, observa.
Silvia Pereira também estava. E decidiu provocar uma reviravolta em sua vida quando a filha Larissa nasceu. No ano de 2000, decidiu abandonar o cargo de gerente de uma locadora de veículos e começou a trabalhar como manicure, atendendo clientes em domicílio.
Pouco tempo depois, passou a recebê-las na garagem de casa, no Núcleo José Regino, até concluir um curso de depilação e montar uma sala nos fundos do imóvel. Com a clientela cada vez maior e o desejo de continuar a crescer, Silvia formou-se cabeleireira e, em 2003, abriu o próprio salão.
“Com o tempo, consegui fidelizar a clientela e, há dois anos, formalizei meu negócio como EI, embora eu já tivesse inscrição municipal e estadual. O relacionamento com as clientes acaba sendo de amizade, o que permite estabelecer um vínculo de confiança com elas”, conta. Hoje, além de atender, sozinha, cerca de 120 clientes ao mês, Silvia também comercializa produtos cosméticos, lingeries e semijoias para reforçar a renda.
Mulher de Negócios
O Sebrae reconhece a importância das mulheres que transformam seus sonhos em realidade por meio do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, uma parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Federação das Associações de Mulheres de Negócios, Profissionais do Brasil e Fundação Nacional da Qualidade. A cabeleireira Silvia Pereira, inclusive, foi uma das finalistas da premiação em 2013.
“O prêmio é uma forma de dar visibilidade às mulheres empreendedoras que possuem boas práticas de gestão. É uma forma de valorizá-las e, ao mesmo tempo, estimular outras mulheres a ter o próprio negócio por meio de exemplos bem sucedidos”, diz o gerente do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi.
A pesquisa
A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (ou Monitoramento Global de Empreendedorismo), iniciativa da London Business School e Babson College, é realizada em 68 países e cobre 75% da população global, além de 89% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
No Brasil, é patrocinada pelo Sebrae e realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Em sua última edição, 10 mil pessoas de 18 a 64 anos de todas as regiões e 85 especialistas em empreendedorismo foram entrevistados.
O estudo apontou que as mulheres que comandam novos empreendimentos já são maioria em quatro das cinco regiões brasileiras. Ainda não ultrapassam os homens apenas no Nordeste, mas já chegam a 49% de participação entre os novos empresários.
23 mil informais
O gerente do Escritório Regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi, destaca que o número de mulheres que formalizam seus negócios só tem crescido em Bauru. Mas, para ele, o receio para registrar o empreendimento ainda existe.
A estimativa é de que existam cerca de 23 mil trabalhadores informais em Bauru. Por meio do Empreendedor Individual, empresas que faturam até R$ 60 mil por ano desembolsam a cota fixa de até R$ 39,90 mensais para quitar grande parte das contribuições tributárias.
Entre as vantagens da formalização estão o acesso a benefícios como auxílio-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria, consultas médicas e seguro-desemprego, entre outros.
Flexibilidade de horário é atrativo
Assim como foi para Silvia Pereira, a flexibilidade de horário para administrar o próprio negócio é um dos grandes atrativos para as mulheres, que precisam, também, administrar a casa e a rotina dos filhos. A determinação e maior capacidade de organização e planejamento também são apontados pelo gerente do Sebrae, Milton Debiasi, como fundamentais para o sucesso do empreendimento.
O fato de mulheres serem mais detalhistas e sensíveis também contribui para que elas detectem, com maior facilidade, falhas e oportunidades de expansão de seus negócios. “São características que aumentam as chances de sucesso. Além disso, elas são menos resistentes a mudanças e, portanto, mais arrojadas e naturalmente empreendedoras”.
Segundo o Sebrae, as mulheres procuram estudar e se qualificar mais para empreender. “E muitas saem da universidade querendo ter o próprio negócio, já que o conceito de empreendedorismo está cada vez mais difundido”, observa Debiasi.
