A Comissão de Direitos Humanos da ONU divulgou ontem relatório que coloca a Coreia do Norte como o país onde ocorre o maior número de crimes contra a humanidade no mundo.
O grupo que elaborou o texto diz também que há evidências suficientes para processar o ditador do país, Kim Jong-un, e outros membros do governo no Tribunal Penal Internacional (TPI).
No documento, de 400 páginas, a comissão compila entrevistas com 240 desertores que moram na Coreia do Sul, nos EUA e no Reino Unido. A Coreia do Norte não autorizou a entrada dos inspetores das Nações Unidas. O regime nega os abusos e afirma que o relatório é parte de uma conspiração tramada pelos EUA e pelo Japão.
Segundo a comissão, há no país torturas sistemáticas, fome deliberada e massacres em níveis próximos a um genocídio. Os locais onde há maior violação dos direitos são os campos de detenção, onde estão entre 80 mil e 120 mil presos políticos.
Nesses campos, segundo os desertores, há homicídios, tortura, execuções e crianças aprisionadas desde o nascimento. Uma mãe teria sido obrigada a afogar o próprio bebê, e famílias seriam torturadas por terem assistido a uma novela estrangeira.
Para o chefe da comissão de inquérito, Michael Kirby, a situação prisional norte-coreana só tem paralelo no nazismo. “A gravidade, a escala e a natureza dessas violações revelam um estado sem precedentes no mundo contemporâneo.”