Sete homens foram escolhidos no início da tarde de ontem para compor o conselho de sentença da nova etapa do julgamento do massacre do Carandiru, que resultou na morte de 111 detentos em 2 de outubro de 1992 (veja quadro). Eles vão compor o conselho de sentença, que decidirá o destino de 15 policiais militares acusados de matar oito detentos no terceiro andar do pavilhão 9.
Terminou às 18h25 de ontem o primeiro dia de julgamento. O júri será retomado hoje, às 10h30, com o depoimento das testemunhas de defesa.
O julgamento de todos os réus do massacre está sendo feito por etapas. Nesta terceira etapa são julgados policiais do Comando de Operações Especiais (COE) acusados pela morte de oito presos no terceiro andar. Em 2013, foram condenados 48 PMs acusados de matar presos do primeiro e do segundo andares.
Foram ouvidas ontem duas testemunhas arroladas pelo Ministério Público: o perito Osvaldo Negrini Neto e o então diretor de segurança e disciplina do Carandiru, Moacir dos Santos. Uma terceira testemunha de acusação, o sobrevivente do massacre Marco Antonio de Moura, não pôde comparecer.
Santos, o ex-diretor de segurança e disciplina, que também participou dos outros dois julgamentos, disse que os presos não tinham armas de fogo e que eles não atiraram antes de a PM entrar no pavilhão 9, onde ocorreu o massacre que deixou no total 111 mortos. “Arma de fogo eu não vi nenhuma. Só mesmo armas (brancas) que eles faziam”, afirmou, acrescentando que acredita que as 13 armas atribuídas aos presos tenham sido “plantadas”.
Segundo ele, nos cinco anos que antecederam o massacre, foram apreendidas apenas cinco armas de fogo com os presos do Carandiru.
O ex-diretor de disciplina declarou ainda que os detentos não haviam ameaçado os agentes penitenciários, pois o tumulto que levou à ação da PM decorreu de uma briga entre presos que não tinha a direção do presídio como alvo.
Santos reforçou as declarações do perito, dadas anteriormente, de que a PM dificultou e retardou a entrada de funcionários e autoridades no pavilhão após as mortes e que as cenas do crime foram modificadas, pois os mortos foram quase todos amontoados.
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