Em décadas passadas o professor doutor Mário Rigatto, conceituado cientista gaúcho (sempre os gaúchos), entendia que a atividade física vestiu com igual brilhantismo roupagens de vilão e herói. Atualmente, sabe-se que a roupagem de vilão só se justifica se ela for mal entendida ou executada. A roupagem de herói pode parecer presunçosa. Quem sabe, a verdade esteja no meio. In médium, virtus. Nada contra a prática de atividade física direcionada para a saúde. Mas tudo contra o fato de as pessoas se iniciarem num programa de condicionamento físico sem antes ter bem claro seus objetivos e a metodologia a ser seguida. Implica dizer que a pessoa não deve ter apenas informações, sugestões, ou mesmo basear-se nos achismos do senso comum. Ela tem que ter conhecimento. Há que se aprender sobre o assunto, até para fugir de ativismo inconsequente. Ou será que para se conseguir carteira de habilitação, por exemplo, não temos que superar diferentes fases do processo? A propósito, no caso da atividade física, o processo é mais importante que o produto, posto que, sem aquele, este poderá ser lesivo à saúde. As prescrições de "comece devagar, caminhe um pouco" devem ser entendidas com algumas ressalvas. O que é "devagar"? Quanto é esse "caminhe um pouco"?
Tudo deve ser adrede mensurado, realizado e anotado. Como se faz usualmente com um extrato bancário da nossa conta corrente. Há que se ter controle. Saber por que e como estamos realizando a atividade física. Como dito alhures, não há solução simplista. Não se deve prescindir desse conhecimento; caso contrário os objetivos não serão alcançados e os riscos potencializados. A maior demanda por atividade física tem ? na maioria dos casos - como base o emagrecimento. E também na maioria dos casos, a obesidade é um distúrbio nutricional, ou seja, desbalanço energético caracterizado por ingesta maior que demanda.
De modo geral, os alimentos não metabolizados são transformados em ácidos graxos livres (AGL) e depositados subcutaneamente. Cumpre dizer, pois, que a primeira providência no processo de controle da obesidade deve ser a reeducação alimentar, orientada por profissional da área específica. A segunda e não menos importante é o diagnóstico médico, tanto do ponto de vista cardiorrespiratório, quanto do ortopédico. Se a atividade física for indicada aí, sim, deve-se procurar o profissional de Educação Física, que tenha, preferencialmente, afinidade com condicionamento físico para grupos especiais, posto que o obeso e/ou sedentário se enquadram nessa classificação. Basicamente existem dois tipos de treinamento: o neuromuscular e o cardiorrespiratório. E ambos devem ser contemplados na elaboração de um programa de condicionamento físico vinculado à saúde.
Isto posto, deve ser muito bem explicitado a que leva um e outro. Ambos, desde que convenientemente prescritos e melhor executados resultam em efeitos fisiológicos crônicos que vão muito além de possível perda de peso corporal. Por si só, a atividade física do tipo aeróbio não oferece grande perspectiva de queima de gordura. Associada ao treinamento neuromuscular os resultados podem ser otimizados. Ambos concorrem para a preservação da massa magra, até porque, a eventual diminuição do peso corporal ocorre mais em virtude da perda de músculo do que de gordura, em programas de emagrecimento sem a inclusão da atividade física. Malhar é bom. Aprender sobre, melhor.
O autor, Edison M. Maitino, é colaborador de Opinião