Indicador que busca prever o risco de a economia brasileira entrar em recessão, calculado pela FGV em associação com o instituto americano The Conference Board, mostra que essa probabilidade recuou para 19% em janeiro, nível considerado relativamente baixo.
Em dezembro, esse risco estava em 23% e, entre julho e agosto de 2013 (pico mais recente), chegou a 41%, na esteira das incertezas provocadas pelas manifestações populares e a dificuldade de o governo responder às demandas.
O indicador antecedente de atividade, agregado nos últimos seis meses, ficou positivo pela primeira vez desde março de 2013. O indicador de atividade atual, pela mesma agregação, também ficou no campo positivo.
A combinação dos dois resultados indica, segundo Paulo Picchetti, da FGV, que o risco de contração da economia parece improvável nos próximos meses.
Segundo ele, o pior do pessimismo já passou, porém, isso não significa um retorno ao crescimento econômico.
"Não temos risco de recessão, mas instalou-se o consenso de que estamos parados em um baixo ritmo de crescimento", afirmou.
Picchetti afirma que, para observar riscos de recessão, é preciso observar os dados em um prazo mais alongado, no caso seis meses.
O número mais recente, porém, de janeiro, mostra um aumento do pessimismo no mês ante dezembro. O indicador que mede o que os agentes esperam para o futuro recuou 1,1% no mês, ante dezembro.
Esse indicador reúne informações de oito "termômetros" da economia, como as expectativas de empresários da indústria, dos serviços e também de consumidores, calculados pela FGV. Os três estão em terreno negativo.
O Ibovespa (principal índice da Bolsa) também caiu. O índice de termos de troca (preço das exportações brasileiras) também recuou. Dados positivos foram obtidos apenas no nível das exportações e a produção de bens duráveis.
O indicador que mede o ritmo atual da economia melhorou em janeiro, com ligeira alta (0,4%) ante dezembro, depois de dois meses de queda. Esse dado reúne informações de seis outros "termômetros" da economia, como produção de papelão ondulado, ocupação e vendas do comércio.
Os três tiveram resultado positivo. A produção industrial e a renda do trabalhador (descontada a inflação) ficaram negativos. O consumo de energia elétrica nas fábricas ficou estável.
Recessão no 2º Semestre
Os dados do IBC-BR, índice calculado pelo Banco Central que tenta antecipar o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto), sugeriu, na semana passada, que o país possa ter vivido uma recessão no segundo semestre do ano passado.
Paulo Picchetti afirma que "não é impossível" ter havido uma recessão, mas afirma que o desempenho da economia deve ser observado de uma maneira mais ampla.
A "regra de bolso", diz ele, diz que dois trimestres seguidos de recuo da atividade sugerem uma recessão. Mas, no caso brasileiro, é difícil afirmar que de fato houve uma recessão, uma vez que os dados de mercado de trabalho não indicam uma crise.
"Embora a regra de bolso sugira uma recessão técnica, a economia deve ser observada de maneira mais ampla. Um conjunto de variáveis, em particular o mercado de trabalho, indicam que é difícil falar em recessão de fato", disse. A taxa de desemprego bateu novo recorde de baixa no fim do ano passado.