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Ucrânia lança

Folhapress
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O Ministério do Interior da Ucrânia anunciou nesta quarta-feira (19) uma operação antiterrorista contra grupos radicais que participam nos protestos contra o presidente Viktor Yanukovich. Para o governo, eles são os responsáveis pela violência que deixou 26 mortos na terça-feira (18). O presidente anunciou na noite desta quarta-feira (19) que chegou a um acordo de "trégua" com líderes da oposição um dia depois da batalha que levou à morte de ao menos 26 pessoas nas ruas de Kiev (leia mais abaixo).

Rostyslav Kovalchuk/Reuters

A polícia ucraniana continua a enfrentar manifestantes que ainda resistem ao cerco à praça da Independência, centro dos protestos

Nesta quarta, o presidente ainda demitiu o chefe das Forças Armadas, que, por causa da operação antiterrorista, poderia ser convocada pela primeira vez desde o início da crise no país.

Enquanto isso, a polícia ucraniana continua a enfrentar manifestantes que ainda resistem ao cerco à praça da Independência, centro dos protestos. O local é ocupado desde novembro, quando o governo rejeitou a adesão à União Europeia.

Em comunicado, os serviços de segurança ucranianos acusam grupos radicais do "uso deliberado e seletivo da força" e uso de armas de fogo. O órgão afirma que, desde ontem, mais de 1.500 armas e 100 mil balas da polícia chegaram às mãos dos chamados terroristas.

A operação é anunciada após uma noite violenta de confrontos entre os manifestantes e a polícia, que tentava desalojar a praça da Independência. Os combates continuaram pela madrugada e os opositores montaram barricadas que foram incendiadas para impedir o acesso das forças de segurança.

Os manifestantes alimentam o fogo com pneus e resistem às forças de segurança atirando pedras, bombas caseiras, coquetéis molotov e morteiros, enquanto a polícia responde com bombas de efeito moral e tenta apagar o fogo com caminhões com jatos d'água.

Em um comunicado divulgado na internet durante a madrugada, Yanukovich disse que resistiu a usar a força desde que os protestos começaram, mas está sendo pressionado por "assessores" a adotar uma reação mais dura contra os opositores.

"Sem nenhum mandato do povo, ilegalmente e em violação da Constituição da Ucrânia, estes políticos se posso usar este termos apelaram a massacres, incêndios criminosos e assassinato para tentar tomar o poder", disse o presidente, que declarou quinta-feira como dia de luto pelos mortos.

Um dos líderes dos opositores, o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko se reuniu com Yanukovich durante a noite. Ao sair da reunião, o rival do presidente disse que não negociaria enquanto sangue estiver sendo derramado.

Dia sangrento

A violência foi resultado de uma manhã tensa ao lado do Parlamento, onde estava sendo discutida a reforma constitucional que visa limitar os poderes da Presidência, uma das exigências da oposição. A polícia impediu a passagem dos manifestantes, que tentaram romper o cordão de isolamento, dando início aos confrontos.

O registro mais recente do Ministério da Saúde indica 26 mortes desde a explosão de violência ontem em Kiev, e 241 feridos hospitalizados, incluindo 79 policiais e cinco jornalistas.

O Ministério do Interior confirmou a internação de 349 policiais, 79 deles baleados nos protestos.

Nesta quarta, a Assembleia Regional de Lviv, no oeste ucraniano, declarou autonomia política em relação ao governo central após uma noite de protestos violentos, em que os manifestantes conseguiram fazer com que a polícia se rendesse.

Os agentes foram rendidos por manifestantes usando máscaras de esqui, que também dominaram os prédios do governo central na cidade, uma das maiores do país. O Parlamento local disse que agora responde pelo Executivo da região, em mais um sinal de enfraquecimento do governo.

Após reunião com oposição, presidente anuncia trégua

Leandro Colon/Folhapress

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, anunciou na noite desta quarta-feira (19) que chegou a um acordo de "trégua" com líderes da oposição um dia depois da batalha que levou à morte de ao menos 26 pessoas nas ruas de Kiev.

Em declaração em seu site oficial, o presidente informou, além da trégua, o "início de negociações com o objetivo de cessar o derramamento de sangue e estabilizar a situação no país em busca da paz civil". Participaram do encontro com ele os principais líderes de oposição, entre eles o o ex-campeão de boxe Vitali Klitschko.

O governo ucraniano busca uma solução após também ser cobrado pelo bloco europeu e pelos os Estados Unidos para acabar com a repressão aos protestos no país. Uma reunião de emergência foi convocada pelos membros da União Europeia para amanhã às 14h em Bruxelas, onde vão discutir a possibilidade de aplicar sanções ao país envolvendo, por exemplo, restrições financeiras e vistos a funcionários do governo. Os ministros de Relações Exteriores da França, da Alemanha e da França foram a Kiev para avaliar a situação antes do encontro de emergência com os demais países da UE.

Logo cedo, diante do cenário sangrento, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, emitiu um comunicado em que repudia a violência em Kiev. "Não há circunstância que legitime ou justifique essas cenas", disse. Segundo ele, a liderança política do país, no caso o presidente Viktor Yanukovich, tem o dever de garantir a proteção aos direitos fundamentais dos cidadãos. E sugeriu possíveis sanções: "Esperamos que medidas contra os responsáveis pela violência e pelo uso da força possam ser acordadas entre os Estados-membros em caráter de urgência", disse.

             

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