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Gastos com moradia, impostos, educação e transporte comprometeram o orçamento |
Menos de uma semana após projetar crescimento de 5,9% para as vendas no varejo em 2014, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para baixo sua previsão. Ontem, a entidade informou que espera avanço “ao redor de 5%” neste ano. A mudança foi influenciada pelo recuo de 0,9% no índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em fevereiro ante janeiro, bem como pelas perspectivas de crescimento menor da renda e desaceleração na oferta de crédito.
A projeção de 5,9% havia sido divulgada em 13 de fevereiro, logo após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar os dados consolidados da atividade de 2013. No ano passado, as vendas do comércio aumentaram 4,3%, o pior resultado desde 2003, quando houve queda de 3,7%.
Em 16 de janeiro, quando o IBGE divulgou o aumento de 0,7% nas vendas em novembro ante outubro (posteriormente revisado para 0,6%), a CNC chegou a cravar uma projeção de 6,5% para as vendas do comércio em 2014.
Pesquisa
As dívidas com moradia, impostos, educação e transporte, algumas delas típicas de início de ano, comprometeram o orçamento das famílias e determinaram a queda de 0,9% do ICF em fevereiro em relação a janeiro. Quando a comparação é feita com fevereiro de 2013, o recuo foi de 4,2%.
“Esses são fatores sazonais”, salientou Fernandes. O encarecimento do crédito, com taxas de juros reais mais elevadas, a inflação e a moderação no consumo já observada no ano passado também pesaram para a menor confiança das famílias.
Dentro do ICF, o índice que mede o nível de consumo atual caiu 10,2%, para 100 pontos - o menor patamar desde agosto de 2013 (98,6 pontos). “(O índice) voltou ao nível neutro. Quer dizer que há moderação no consumo das famílias”, disse Fernandes.
No contexto desta esperada desaceleração, a alta de 16,3% registrada pelo índice que mede o momento para duráveis em fevereiro contra janeiro parece destoar. Mas o economista observa que a base de comparação é baixa, dadas as quedas de 0,2% em novembro, de 1,7% em dezembro e de 6,5% em janeiro (sempre na comparação com o mês imediatamente anterior).
“Não vejo essa alta como uma tendência. Houve queda anual (de 12,2% em relação a fevereiro de 2013). Não é uma retomada, é pura e simplesmente efeito estatístico”, disse Fernandes.