Internacional

Onda de protestos políticos deixa seis mortos na Venezuela

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Subiu ontem para seis o número de mortos na onda de protestos políticos que sacode a Venezuela, num momento em que o detido líder opositor Leopoldo López instou seus seguidores a continuar lutando para derrubar o governo socialista.

A televisão estatal informou que uma mulher morreu depois que a ambulância que a levava ao hospital foi bloqueada por manifestantes da oposição em Caracas. Segundo a VTV, ela estava sendo socorrida após sofrer um ataque cardíaco.

Há quase 20 dias, milhares de venezuelanos protestam nas ruas contra preocupações que vão desde a piora da economia até a insegurança no dividido país. Quatro pessoas morreram baleadas, uma de ataque cardíaco e outra atropelada, além de haver centenas de feridos.

Embora os protestos tenham se convertido no maior desafio de governabilidade do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, desde que assumiu o cargo em abril, não havia indícios de que sua administração será abalada.

Os militares, cruciais na história venezuelana para equilibrar a balança e pressionar pela saída de um mandatário, estão do lado do presidente.

Maduro garante que a oposição, com apoio dos Estados Unidos, tenta repetir o sangrento golpe de Estado que tirou brevemente do poder o então presidente Hugo Chávez em 2002. Mas López disse que quer revogar o mandato de Maduro por referendo, permitido pela Constituição para 2016.


Líder opositor que pede luta continue

Leopoldo López, líder preso dos protestos contra o governo da Venezuela, fez um chamado para que os manifestantes continuem lutando pelo fim do governo socialista, mesmo com a previsão de que ele comparecerá a um tribunal nesta quarta-feira por causa da acusação de provocar distúrbios que já mataram quatro pessoas pelo menos.

López, economista de 42 anos formado em Harvard, se entregou às forças de segurança na terça-feira, depois de liderar três semanas de protestos na Venezuela, manifestações que se tornaram o maior desafio já enfrentado pelo presidente Nicolás Maduro.

“Hoje, mais do que nunca, a nossa causa tem de ser a saída desse governo”, afirmou López, sentado ao lado da mulher, num vídeo feito para ser divulgado se ele fosse preso.

A saída desse desastre, a saída desse grupo de pessoas que sequestraram o futuro dos venezuelanos está nas suas mãos. Vamos lutar”, disse.

Ontem, uma multidão de manifestantes contra o governo de Nicolás Maduro se aglomerou ontem em frente ao Palácio de Justiça da Venezuela, em Caracas, para saber qual seria a decisão sobre o líder opositor Leopoldo López, preso ontem.

E houve nova indignação com a notícia de que a audiência de López foi transferida para a prisão militar de Ramo Verde, em Los Teques, para onde ele havia sido levado depois de comandar um ato contra Maduro.

López responderá a nove acusações sobre sua participação nas convocatórias dos protestos. Entre elas,  “homicídio intencional qualificado”, “terrorismo”, “incêndio de edifício público” e “delitos de intimidação”.

Não se sabe, porém, qual é a fundamentação da Justiça para cada acusação.

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