Bairros

Lombada na Nações provoca confusão

Tisa Moraes com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Lombada dispara uma luz vermelha para condutores que trafegam acima de 50 km/h

A lombada eletrônica instalada para testes na quadra 23 da avenida Nações Unidas, nas imediações do parque Vitória Régia, está gerando confusão entre os motoristas que trafegam pelo trecho.

Embora não esteja efetivamente operando por conta da revogação do processo licitatório que contrataria o serviço, o equipamento continua ligado, induzindo os motoristas a acreditar que o limite da via é diferente do informado pelas placas de sinalização.

No trecho, a velocidade máxima permitida é de 60 quilômetros por hora, mas a lombada dispara uma luz vermelha para os veículos que transitam acima de 50 quilômetros por hora. Quando passam a até 29 quilômetros por hora, surge um sinal verde e, entre 40 e 49 quilômetros por hora, o dispositivo acende uma luz amarela.

O parâmetro divergente do estabelecido pelas placas tem deixado os motoristas receosos e, como resultado, a velocidade dos carros acaba sendo reduzida no local. Um condutor, que preferiu não se identificar, conta que passa pela quadra 23 da Nações duas vezes ao dia e, todas as vezes, coloca o pé no freio.

“Faço esse trajeto a caminho do trabalho e, mesmo sabendo que a lombada eletrônica não está funcionando, sempre reduzo a velocidade, com medo de ser multado. Na dúvida, prefiro andar a menos de 60 quilômetros por hora”, revela.

Consultada, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) informou que o dispositivo, de fato, não está operando e, portanto, não registra qualquer autuação naquele trecho.

E a previsão é de que permaneça inutilizado, mesmo que ligado, até o final do ano, quando o imbróglio envolvendo a licitação dos medidores de velocidade deverá ser resolvido.

Revogação

O processo foi revogado no final de janeiro porque a empresa vencedora, a Talentech Tecnologia Ltda., está envolvida em denúncias na região de Taubaté e pode ter relação com a Engebrás S/A, envolvida na chamada Máfia dos Radares, que estourou em 2011.

As suspeições contra a Talentech chegaram à Emdurb justamente no momento em que a empresa envia ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) uma cópia integral dos processos licitatórios para aquisição de produtos de limpeza, que incluem sacos plásticos de lixo.

No total, cerca de 5 mil folhas referentes a contratos dos últimos cinco anos foram encaminhadas aos promotores.

No caso do saco de lixo, a empresa que venceu o contrato é acusada de comprar a “desistência” de outras empresas em licitações envolvendo órgãos e entidades públicas para vencer a disputa, revelou a Operação Colludium. Em relação aos sacos de lixo, a Emdurb cancelou o contrato.

Já em relação à Talentech, cujo contrato não estava assinado, a licitação foi revogada.


Recorreu

O contrato da Talentech, se tivesse sido assinado, seria de R$ 205.088,00 por ano e poderia ser renovado por mais cinco, desde que a documentação fosse reapresentada a cada 12 meses, aprovada e que o preço não fugisse da cotação refeita a cada avaliação. O edital previa a locação, instalação e manutenção de medidor e registrador fixo com mostrador de velocidade.

A Emdurb já havia definido a instalação de quatro equipamentos: dois na quadra 23 da via (lados par e ímpar) e outros dois na quadra 55, nos mesmos sentidos. Apenas um deles, no sentido Centro-bairro da quadra 23, havia sido instalado para testes.

Como a empresa recorreu da revogação imposta pela Emdurb, deverá esperar até que o processo seja concluído para, dependendo do resultado final, retirar ou colocar o dispositivo em efetivo funcionamento.

A assessoria de imprensa da Emdurb informou que a autarquia não pretende acionar a Talentech para desligar o medidor de velocidade que vem confundindo os motoristas.

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