Internacional

Mortos chegam a 75 na Ucrânia

Por Vasily Fedosenko e Richard Balmforth | Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Pelo menos 21 civis morreram em novos confrontos ontem em Kiev, interrompendo a trégua declarada na véspera pelo presidente Viktor Yanukovich. A Presidência ucraniana disse que vários policiais também morreram ou ficaram feridos.

Ativistas que atiravam bombas incendiárias e pedras do calçamento encurralaram a polícia num canto da praça da Independência, conhecida como Maidan, no centro da capital, e aparentemente capturaram vários agentes.

A polícia reagiu com bombas de efeito moral. Um fotógrafo contou 21 corpos à paisana em três lugares da praça, a algumas centenas de metros da sede da Presidência. Desde terça-feira, já houve pelo menos 75 mortos, no que é disparadamente o período mais violento em 22 anos de história independente da Ucrânia.

Em nota, a Presidência disse que os manifestantes “partiram para a ofensiva”. “Eles estão trabalhando em grupos organizados, estão usando armas de fogo, inclusive rifles de franco-atiradores. Estão atirando para matar. O número de mortos e feridos entre os agentes policiais é de dúzias.”

Logo depois das 9h (4h em Brasília) os manifestantes avançaram para uma linha mais próxima da presidência e do Parlamento.

A TV mostrou ativistas em trajes de combate levando vários policiais capturados para o outro lado da praça.

Ambos os lados se acusam mutuamente de usarem munição real.

Sanções dos EUA

Ontem os Estados Unidos impuseram proibições de concessão de vistos para 20 autoridades do governo ucraniano consideradas responsáveis pela violenta repressão da polícia contra manifestantes, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano.

Também ontem, os ministros de Relações Exteriores da Alemanha, França e Polônia viajaram ao país para diálogos com o governo e a oposição sobre a escalada de violência.

Frank-Walter Steinmeier, Laurent Fabius e Radoslaw Sikorski se reuniram ontem mais de quatro horas com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, para propor-lhe um roteiro que solucione a crise no país, informou o Ministério das Relações Exteriores alemão.

Esta proposta europeia inclui uma reforma da constituição e o começo, nos próximos meses, de um governo de transição, segundo a imprensa alemã citando fontes governamentais em Berlim.

Rússia envia mediador

O presidente Putin enviará um mediador para a Ucrânia. Ele será encarregado de fazer a ponte entre governo e oposição, cuja trégua não foi respeitada pelos manifestantes e pela polícia.  A Rússia anunciou uma compra de US$ 15 bilhões em títulos do governo como ajuda para tirar o país de uma crise, além de desconto no fornecimento de gás natural, do qual o vizinho.


UE congela bens

Os ministros de Relações Exteriores da Europa concordaram ontem em impor sanções à Ucrânia - incluindo proibição de vistos, congelamento de bens e restrições na exportação de produtos repressivos, segundo oficiais e autoridades.

As restrições vão ser aplicadas aos envolvidos na violência na capital do país, Kiev, que vive uma semana de intensos confrontos entre polícia e manifestantes.

As propostas para a proibição de exportação de armas foram retiradas.

“A UE decide como uma questão de urgência sobre o congelamento de bens e proibição de vistos aos responsáveis pela violência e força excessiva em Kiev”, disse o ministro das Relações Exteriores sueco, Carl Bildt, em um tweet.

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