Nove suspeitos de integrar uma quadrilha de roubo a bancos foram mortos na madrugada de ontem em Itamonte, no sul de Minas Gerais, após confronto com policiais civis de Minas Gerais e de São Paulo. Outros cinco suspeitos foram presos, e um fugiu.
Segundo a polícia, ao menos 15 homens faziam parte da quadrilha, que chegou a Itamonte em sete veículos por volta das 2h de ontem.
Policiais dizem que os bandidos estavam armados com pistolas, fuzis e dinamite - que seria usada para explodir caixas eletrônicos.
Um dos caixas da praça Padre Francisco Mira, no centro de Itamonte, chegou a ser explodido. A polícia, contudo, surpreendeu a ação numa operação que envolveu 80 policiais civis - 40 de Minas Gerais e 40 de São Paulo.
Além de roubar os caixas eletrônicos, a quadrilha planejava dominar o pelotão da Polícia Militar local.
Os suspeitos chegaram ao local em dois carros: um Ford Ecosport, que levava três homens, e um Honda Civic, com quatro. Dentro dos veículos, foram encontrados dois fuzis, ferramentas e cinco bananas de dinamite. Houve troca de tiros no local e perseguição pela cidade.
Outros quatro suspeitos armados foram interceptados na BR-354, onde houve outra troca de tiros. Dois morreram. Outros três suspeitos foram presos ainda em Itamonte. Dois deles estavam feridos e foram levados para o hospital, sem risco de morte.
Mais tarde, dois suspeitos foram localizados em municípios de São Paulo, para onde fugiram após a ação. Um foi preso em Arujá, com o dinheiro roubado do único caixa explodido, e outro foi preso em Guaratinguetá. Um suspeito continua foragido.
Um policial foi baleado no braço durante a ação, mas não corre risco de morte.
O bando atuava na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, segundo a polícia, e era investigado havia pelo menos três meses pelas polícias dos dois Estados. Não foi informado se os suspeitos tinham antecedentes criminais.
Exército fecha cerco a roubos de explosivos
Para reduzir os roubos a caixas eletrônicos com uso de explosivo, o Exército fechou o cerco na fiscalização de pedreiras, empresas de transporte e grandes obras, que usam dinamite e são alvo das quadrilhas.
Em apenas três dias, uma força tarefa batizada de Operação Dínamo apreendeu no final do ano passado 80 toneladas de explosivos, metade no Estado de São Paulo.
O acesso fácil às dinamites, que são roubadas ou desviadas de pedreiras, de obras e durante o transporte, foi o que sustentou a proliferação desse tipo de ação nos últimos três anos, segundo a Polícia Civil.
De janeiro a setembro de 2012, foram registradas mais de duas explosões de caixa por dia no Estado de São Paulo, um total de 697 casos, segundo dados do Deic. Com o início das investigações de identificação e prisão das quadrilhas especializadas e o maior controle dos explosivos, os casos caíram para 370, no mesmo período de 2013.
Apesar de renderem quantias menores aos criminosos, são ações rápidas e de retorno garantido. A Federação Nacional dos Bancos (Febraban) calcula que os roubos de caixas eletrônicos com explosivos causaram um prejuízo de R$ 75 milhões em 2012 - enquanto crimes cibernéticos e outros roubos e fraudes provocaram um rombo de R$ 1,4 bilhão aos bancos.
Bandos especializados em atacar caixas surgiram no Interior de SP
As quadrilhas organizadas que difundiram os roubos a caixas eletrônicos com explosão surgiram na região de Campinas (254 km de Bauru). Elas se espalharam ou transferiram conhecimento para outros Estados, segundo investigações do Deic.
“Esse crime virou moda a partir de 2012, quando houve um boom de casos”, afirma o delegado do Deic Fábio Pinheiro Lopes. “Eles eram de Hortolândia, Sumaré, Mogi Guaçu, mas atuavam em todo Estado e também fora de São Paulo”, explica.
Em dois anos de investigação, o Deic mapeou os grupos, montou organogramas, identificou como agiam e passou a buscar seus integrantes pelo País. Pelo menos 35 criminosos foram presos, acusados em 130 ações.