Um dia após o acordo político que pretendia solucionar a crise na Ucrânia, o presidente Viktor Yanukovich foi deposto ontem pelo Parlamento do país. Eleições antecipadas foram convocadas para o dia 25 de maio.
O impeachment foi aprovado horas depois de o presidente ter deixado a Capital e de manifestantes terem ocupado o palácio presidencial.
Em entrevista a uma emissora de TV, concedida pouco antes da decisão do Parlamento, Yanukovich negou que tivesse deixado o cargo e classificou a situação em curso como um golpe de Estado. Ele disse ainda que seu carro foi alvo de disparos, mas não deu detalhes de onde o ataque teria ocorrido. Ele não aparentava sinais de ter sido ferido. “Não estou com medo. Sinto pena pelo meu país.”
Acredita-se que a entrevista tenha sido concedida na cidade de Kharkiv, no nordeste do país, onde o apoio a Yanukovich é maior.
Além do escritório presidencial, ativistas declararam ter ocupado todos os edifícios da administração oficial. Enquanto o Parlamento votava a queda do presidente, manifestantes com capacetes e escudos cercavam o prédio.
O policiamento ostensivo também deixou as ruas de Kiev. Ao menos um parlamentar do partido do presidente foi agredido ao chegar ao local.
Os eventos de ontem dão conta da rápida erosão do poder na Ucrânia, após uma semana violenta com ao menos 77 mortos.
Para opositora, acabou ditadura
A líder da oposição da Ucrânia Yulia Tymoshenko afirmou que a votação no Parlamento que definiu a deposição do presidente Viktor Yanukovich representa a queda de um ditador no país.
“Nossa pátria vai a partir de hoje ser capaz de ver o sol e o céu uma vez que a ditadura chegou ao fim”, disse a jornalistas depois de ser libertada do hospital onde esteve detida a maior parte do tempo desde que foi presa em 2011.
Ao lamentar as mortes ocorridas durante os protestos contra o governo de Yanukovich em confrontos com a polícia, ela disse que deve ser feito de tudo para que “cada gota de sangue não tenha sido derramada em vão.”