Isabela Ribeiro/Divulgação |
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Violão é um dos cursos; na foto, o professor da unidade do Jardim Progresso, Stivy Henrique, orienta aluna |
De volta à rotina, mas com novidades. Foi assim que as Bibliotecas Ramais de Bauru voltaram do período de férias. E no caldeirão de atividades foram incluídos cursos e oficinas diversas, como confecção de máscaras e aulas de violão e teatro. Ainda há vagas para algumas das opções.
As ações culturais e de lazer são oferecidas gratuitamente pela Secretaria Municipal de Cultura e realizadas com o objetivo de atrair a comunidade para as bibliotecas e, consequentemente, para a leitura.
As oficinas de máscaras serão realizadas até o fim de fevereiro nas seguintes unidades: Bibliotecas Ramais da Vila Falcão, Mary Dota, Ouro Verde, Tibiriçá, além do Centro Comunitário do Geisel e da Biblioteca Central.
Ao longo das aulas, músicas, filmes e outras atividades resgatam a história do Carnaval e da máscara e estimulam a criatividade de pais e filhos. No último dia de oficina será realizado um baile de Carnaval para os alunos se divertirem com suas criações, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal.
Cursos artísticos
Também tiveram início no segundo semestre de fevereiro os cursos de violão e de teatro para a terceira idade das unidades do Jardim Progresso, Jardim Ouro Verde e Jardim Falcão. As aulas são voltadas para alunos a partir de 60 anos. O curso de violão é oferecido no Jardim Progresso e Vila Falcão, enquanto o de teatro, no Jardim Ouro Verde.
•Serviço
Há seis bibliotecas ramais espalhadas pelos seguintes bairros do município: Jardim Progresso, Vila Falcão, Núcleo Mary Dota, Núcleo Presidente Geisel, Jardim Ouro Verde e no Distrito de Tibiriçá. Informações sobre as atividades, como horário e disponibilidade de vagas estão no infográfico da página 3 da edição impressa deste jornal.
Entre acordes e pincéis
Mais do que emprestar livros, a estudante Gabriele Priscilla, 16 anos, frequenta a Biblioteca Ramal do Jardim Progresso em busca de notas e acordes. Isso porque é lá que ela toma aulas de violão há cerca de um ano, com o professor Stivy Henrique. E garante que a música é o prazer da vida.
“Comecei a aprender a tocar violão no ano passado e não quero parar. Procurei o curso por iniciativa própria e pelo prazer de aprender um instrumento e estudar música. Adoro o estilo pop rock. Em casa ninguém é músico, então, já viu, sempre tem alguém pedindo para eu tocar alguma coisa”, diz, com ar de timidez.
De acordo com Stivy, os benefícios das aulas vão muito além do prazer proporcionado pelas canções. Nelas, os estudantes trabalham a concentração e a coordenação motora, entre outras habilidades. “Isso sem falar no conceito artístico. A pessoa conhece o folclore brasileiro e muito mais do que envolve a nossa música”, afirma.
As aulas acontecem semanalmente, às segundas-feiras, e moradores de outros bairros também podem participar.
Há vagas
Segundo o professor, as turmas para as aulas de violão são compostas por até cinco alunos e ainda há vagas.
Os interessados podem se inscrever na unidade e é preciso ter mais de 12 anos de idade, levar o próprio instrumento musical, um caderno e o pai ou responsável para a matrícula, no caso de menores de idade.
Oficina com... folia!
Uma das atrações de fevereiro nas ramais são as oficinas de máscaras, realizadas com o intuito de despertar os alunos para a história do Carnaval, como explica a psicóloga e coordenadora das oficinas, Rosângela Maria Barrenha.
“Contamos a história da maior festa do Brasil através de filmes, músicas dos Carnavais de todos os tempos, livros... Todos já ouviram falar na festa, mas poucos sabem o seu significado, como surgiu e o porquê da comemoração. E a festa está ressurgindo em Bauru, por isso este é um bom tema para a época”, ressalta.
É exatamente a história do Carnaval que instigou o grupo de amigos Isabela Oliveira, 11 anos, Caroline Moraes dos Santos, 13 anos, e Samuel Fernandes de Lima, 12 anos, a participar da oficina. “Sempre ouvi dizer que esta é uma festa ruim do pecado, mas vi que não é bem assim, que há uma história, uma razão para a sua comemoração”, comenta Isabela.
Já Caroline lembra que sempre quis saber sobre a origem da folia e foi sua mãe quem indicou a oficina de máscaras para a filha e os amigos. E por falar em máscaras, colocar as mãos na massa e transformar o material reciclável doado por escolas de samba em adereços divertidos foi a melhor parte da aula para Samuel: “Gosto de confeccionar os objetos. O aprendizado é muito divertido”.
Oficinas atraem público fiel
As atividades de lazer e cultura oferecidas gratuitamente na Biblioteca Central têm atraído frequentadores também para as prateleiras e estantes de livros, segundo observa a diretora da Divisão de Bibliotecas de Bauru, Maria Luiza Zanzarine Araújo.
“As pessoas vêm até a Central em busca dos cursos e oficinas oferecidos. Muitos pais trazem seus filhos, por exemplo, e acabam sendo atraídos também para a leitura. Vem gente que nunca manuseou as páginas de um livro e voltam para ler, emprestar títulos. Essa “estratégia”de oferecer atividades diversas dentro das bibliotecas tem surtido bons resultados, sim”, garante Araújo.
Temáticas
Normalmente, as oficinas são temáticas e há programação mensal na Rodrigues de Abreu. Este mês, assim como em algumas ramais, as máscaras de Carnaval são os temas. Provavelmente, em março a temática girará em torno do Dia Internacional da Mulher.
Por outro lado, a diretora aponta que as unidades ramais ainda são carentes nesse quesito e que as oficinas devem ser realizadas mensalmente também nesses pontos. “Há um bom público nesses lugares, as atividades precisam ser desenvolvidas e divulgadas entre ele”.
Teatro é novidade da Central para as ramais
Na última sexta-feira (21), teve início o curso de teatro para a terceira idade na Biblioteca Ramal do Jardim Outro Verde. Esta é uma novidade que agora sai da Biblioteca Central para o bairro. Segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, a Secretaria Municipal de Cultural pretende abrir outros cursos nos bairros durante o ano. Para participar, basta ter 60 anos ou mais e fazer a inscrição na própria ramal.
Ponto de encontro para artesanato e “terapia”
Há cerca de seis anos ocorre uma reunião inusitada às terças-feiras na Biblioteca Ramal do Núcleo Presidente Geisel. Um grupo de amigas se junta para fazer crochê, tricotar, bordar e, é claro, colocar o papo em dia. São três horas de aprendizado, diversão e, como elas gostam de dizer, de “terapia”em grupo.
A dona de casa Rita de Fátima Rodrigues, por exemplo, não abre mão de se reunir com as amigas para dar luz à criatividade com o artesanato. “E não é só isso. Aqui a gente desabafa, conta histórias... Sai de tudo um pouco e, com isso, uma ajuda a outra com os problemas do cotidiano. É a melhor forma de terapia que existe”, garante.
O grupo existe no bairro há aproximadamente 20 anos, surgiu como o Clube das Mães, em um Núcleo de Ensino Renovado presente no Geisel. “É uma troca de saber e de experiências, não só domésticas e artesanais, mas também de vida. Uma ensina o que sabe à outra”, completa Rita.
‘De 8 a 80’
E o “clube do artesanato”é formado por aproximadamente 22 mulheres de várias idades. A mais nova é Aline Rocha da Silva, 12 anos. E, a mais velha, dona Paula Luciano de Souza, conhecida na comunidade com “Tia Paula”.
“A reunião para o crochê é tão boa, que eu ficaria entre as amigas até às 22h, se possível”, diz, bem humorada. Já Aline foi convidada por uma vizinha, que desistiu dos encontros no meio do caminho e deixou a pequena artesã como herança para o grupo.
“Eu não falto aos encontros. Já fiz vários trabalhos. Presenteei minha mãe, minhas vizinhas e, assim como a maioria aqui, já vendi muitas peças do meu trabalho. Gosto muito de aprender com elas”, defende.
Números das bibliotecas municipais
Em Bauru, a Divisão de Bibliotecas é integrada pela Biblioteca Municipal Rodrigues de Abreu, seis bibliotecas ramais e o “bibliônibus”, que atende eventos e escolas por agendamento.
•A Biblioteca Central é informatizada desde 31 de agosto de 2002 e conta com um acervo de mais de 44 mil obras disponíveis, além de periódicos, vídeos e uma hemeroteca.
•A Biblioteca Infantil “Ivan Engler de Almeida”, a Gibiteca Municipal “Aucione Torres Agostinho”, a Biblioteca Verde e a Sala de Acessibilidade estão localizadas dentro da Biblioteca Central.
•As bibliotecas ramais possuem um acervo de 16 mil exemplares e atendem a periferia da cidade com livros renovados e um banco de dados que permite o empréstimo entre bibliotecas.
•O número de usuários cadastrados nas bibliotecas ramais é de cerca de 15 mil.
