São Paulo e Santos empataram sem gols ontem, no estádio do Morumbi, no duelo mais aguardado da 10.ª rodada do Campeonato Paulista. Apesar do placar inalterado, as duas equipes fizeram um jogo movimentado desde o início, com boas chances de gol para os dois lados e uma arbitragem polêmica, protagonizada pelos assistentes que vão representar o Brasil na Copa do Mundo.
O árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza também deu boa contribuição à polêmica ao marcar, e logo em seguida anular, um pênalti a favor do Santos aos 45 minutos do segundo tempo. Sem penalidade e sem gols, os dois times tiveram que se contentar com um ponto na tabela de classificação do Estadual.
Com 15 pontos, o São Paulo segue na segunda colocação do Grupo A, ainda atrás do Penapolense (18). O Santos, por sua vez, chegou aos 23, na liderança do Grupo C. Para o time da casa, o resultado também foi negativo por manter o jejum de vitórias em clássicos. O duelo de ontem foi o 12.º sem triunfos em partidas contra os principais rivais.
Jogo
O clássico de ontem começou com uma aposta do técnico Muricy Ramalho ainda no vestiário. Ele sacou Paulo Henrique Ganso da equipe, por “opção técnica e tática”, e escalou um 4-3-3, com Maicon e Pabón, mais avançado, responsáveis pela marcação. Osvaldo e Luis Fabiano comandariam o ataque. O veto a Ganso serviria de alerta para o irregular jogador.
A aposta, que soou arriscada à torcida, demorou para dar resultados em campo. Antes disso, o Santos criou a melhor chance do primeiro tempo, logo aos 8 minutos. Em uma saída errada de Rogério Ceni, Cícero encheu o pé na entrada da área e parou no goleiro. Leandro Damião tentou aproveitar o rebote, mas foi bloqueado pela zaga.
O lance acendeu os dois times, que passaram a exagerar na marcação e nas faltas. Resultado: cinco cartões amarelos somente na etapa inicial. A arbitragem precisou intervir em duas jogadas para “esfriar” a partida.
Os assistentes, contudo, deram pouca contribuição para a tranquilidade dos jogadores. Representantes do Brasil na Copa do Mundo, os bandeiras Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse alternaram erros nas laterais do gramado. Os dois times tiveram motivos para reclamar.
Aos poucos, as reclamações e as jogadas mais pegadas deram lugar ao bom futebol. E foi aí que a aposta de Muricy Ramalho começou a empolgar a pouca torcida presente no Morumbi. Com grande volume de jogo, o São Paulo pressionava a defesa santista. Foram ao menos três boas chances. Aos 40 minutos, Antonio Carlos desperdiçou duas boas chances de abrir o placar. Três minutos depois, foi a vez de Paulo Miranda mandar com perigo no gol santista.
Depois do susto no fim do primeiro tempo, o Santos tentou reequilibrar o duelo no início do segundo tempo. E, aos 8 minutos, Thiago Ribeiro já finalizava dentro da área, mandando rente ao travessão. A resposta são-paulina foi imediata. No minuto seguinte, Maicon bateu forte, mas parou em Aranha. Aos 12, Cicinho quase marcou contra ao desviar por cima do gol santista.
Apesar da superioridade do time da casa, Muricy Ramalho resolveu abdicar de sua aposta e colocou Paulo Henrique Ganso em campo, no lugar de Douglas, aos 28 minutos. A mudança manteve o jogo cadenciado, depois da correria no início da etapa.
Do outro lado, o Santos continuava atacando pouco, mas era quem criava as jogadas mais agudas. Aos 26 minutos, Leandro Damião subiu entre os zagueiros e cabeceou com perigo. Rogério Ceni caiu no canto e fez grande defesa.
A maior emoção do final se deveu a uma marcação confusa da arbitragem. Aos 45, Marcelo Aparecido anotou pênalti em Mena antes de conferir a marcação de impedimento do bandeira. Ao confirmar a posição irregular do lateral santista, recuou e causou a reclamação dos jogadores do Santos, que deixaram o gramado no apito final insatisfeitos com a arbitragem.