Milhares de partidários da Rússia e do governo interino da Ucrânia fazem nesta quarta-feira (26) dois protestos em frente ao Parlamento da península da Crimeia, região autônoma ucraniana de maioria russa.
O Legislativo local deve definir também nesta quarta-feira se apoiará as novas autoridades ou se a região se separará do país. A emancipação é rejeitada pelos cidadãos de origem ucraniana e pelos muçulmanos tártaros, que representam juntos 36% da população local.
No entanto, a maioria russa defende maior influência de Moscou e chegou a hastear ontem a bandeira russa no Parlamento, na capital Simferopol. Hoje, cerca de 10 mil tártaros e 2.000 russos chegaram a trocar empurrões durante o protesto, mas a polícia impediu que o confronto se agravasse. Pelo menos uma pessoa ficou ferida.
Os protestos acontecem em meio à expectativa de uma reação russa à insatisfação da Crimeia. Ontem, o deputado russo Leonid Slutsky visitou a região e disse que o protegeria os interesses da maioria russa.
A frase alimentou os rumores de uma intervenção militar na península, que também abriga a maior base russa no mar Negro, na cidade de Sevastopol. Hoje, o governo russo anunciou um exercício militar no oeste do país, mas descartou que a crise ucraniana tenha influência nessa decisão.
Moscou também enviará um representante de direitos humanos à Ucrânia para vigiar o cumprimento dos direitos humanos pelo governo interino, que é acusado por Moscou de querer oprimir minorias étnicas e os insatisfeitos com a revolta que derrubou o presidente Viktor Yanukovich.
A iniciativa russa foi criticada pelos ex-mandatários ucranianos Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko. Para eles, Moscou faz "uma intervenção direta" na Crimeia, o que poderia levar a um conflito étnico.
Tropa de choque
Hoje, o governo interino ucraniano anunciou a dissolução da Berkut, a tropa de choque do Ministério do Interior. O grupo de elite foi responsável pela repressão aos protestos contra Yanukovich, que deixaram 82 mortos na semana passada. A tropa tem de 4.000 a 5.000 membros em todo o país.