Morreu nesta quarta-feira (26) em São Paulo, aos 99 anos, Ernesto Paulelli, personagem imortalizado na música "Samba do Arnesto", lançada nos anos 50 por Adoniran Barbosa (1910-1982). Sua morte foi confirmada pela filha, Valéria.
Ainda não há horário definido para o velório, mas o enterro deve acontecer às 10h de amanhã, no Cemitério do Araçá.
Ernesto havia fraturado o fêmur na última sexta-feira (21). Ele foi internado no Hospital Santa Maggiore e passou por uma cirurgia. Nesta quarta-feira (26), depois de ter recebido alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Ernesto e Adoniran se conheceram em 1935. Ernesto era violonista e tocava na rádio Eldorado. A convite de uma amiga, foi se apresentar na Record – foi quando conheceu o sambista, que o chamou erroneamente de Arnesto. Ao corrigi-lo, Ernesto ouviu dele que, um dia, Adoniran escreveria um samba para ele, o "Arnesto do Brás".
Quase 20 anos depois da conversa com Adoniran, Ernesto e sua mulher, Alice, ouviram a música no rádio, enquanto estavam no fundo do quintal de sua casa, no bairro do Brás. Ernesto disse que Adoniran finalmente cumprira a promessa e, abraçado à mulher, chorou.
O próprio Adoniran Barbosa admitiria no programa de Aírton e Lolita Rodrigues, na TV Tupi, que Ernesto Paulelli havia sido a inspiração para o samba. A gravação do episódio, porém, se perdeu num incêndio no prédio da emissora, em 1978.
"Ele foi meu exemplo de vida. Nunca mais vai existir um homem como ele", disse sua filha, Valéria. "Meu coração hoje está sangrando."
Ela contou também que o pai tinha o sonho de se tornar advogado, que perseguiu até conseguir se formar, já com 60 anos. Praticou a profissão até os 90.
Ernesto Paulelli deixa dois filhos, nove netos e nove bisnetos. Depois de anos morando no Brás, a família atualmente vive na Mooca, bairro vizinho.