Os líderes dos protestos na Ucrânia indicaram os ministros que eles querem que façam parte do novo governo após a derrubada, no fim de semana, do presidente Viktor Yanukovich eles indicaram o ex-ministro da Economia Arseny Yatsenyuk como sua opção para a chefia do governo interino.
Em uma demonstração de poder popular, o chamado conselho “Euromaidan” fez o anúncio do nome de Yatsenyuk e de candidatos a vários outros postos-chave no gabinete, depois que seus membros fizeram um pronunciamento à multidão na Praça da Independência, epicentro das manifestações contra Yanukovich.
Yatsenyuk, de 39 anos, é um ex-banqueiro milionário que já atuou como ministro da Economia e das Finanças, no governo de Yulia Tymoshenko, antes de Yanukovich assumir a Presidência, em 2010. Visto como um reformista tecnocrata, ele parece aprovar o apoio dos EUA.
A principal diplomata dos EUA para a Europa, Victoria Nuland, foi ouvida discutindo sobre Yatsenyuk e outras figuras da oposição ucranianas em uma ligação grampeada que foi vazada, no dia 7, dizendo “Penso que o Yats é o cara que tem a experiência econômica e de governo”.
Oleksander Turchinov, agora presidente em exercício, disse que o novo governo terá de tomar decisões impopulares para afastar o risco de calote e garantir uma vida normal ao povo ucraniano.
As propostas do conselho Euromaidan terão de ser aprovadas pelo Parlamento, que se reunirá na quinta-feira em uma atmosfera pesada, depois dos recentes confrontos sangrentos.
Separatistas da Criméia
Separatistas pró-Rússia e partidários dos novos líderes da Ucrânia ficaram frente a frente ontem diante do Parlamento regional da Crimeia, antes de um debate sobre a turbulência política que derrubou o presidente Viktor Yanukovich.
Cerca de 2 mil pessoas, muitas delas tártaras - grupo étnico nativo da Crimeia, uma península no mar Negro -, foram até o Parlamento para manifestar apoio ao movimento Euromaidan, que derrubou Yanukovich em Kiev após três meses de protestos.
Mas lá eles encontraram centenas de manifestantes pró-Rússia, que bradavam seu apoio a Moscou e denunciavam os “bandidos” que tomaram o poder na capital ucraniana. Os dois lados ficaram separados por cordões policiais.
A Crimeia foi presenteada à Ucrânia em 1954 pelo então líder soviético Nikita Khrushchev.