Polícia

Vizinhança fica tensa após roubo

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Um lugar tranquilo para se viver. Assim era descrita a quadra 11 da rua Nicola Avalone, no Bela Vista, por seus moradores até a noite de anteontem. O assalto à residência que culminou com a morte de Rafael Walan Pereira de Souza, de 20 anos, um dos autores do crime, deixou um rastro de medo e tensão entre a vizinhança da rua que recebe o nome do ex-prefeito de Bauru na década de 1950.

“Estamos todos assustados. Não atendemos a campainha com medo de ser alguém”, respondeu, de longe, envergando a cabeça entre a parede e uma porta, um casal de aposentados de 85 e 82 anos, vizinhos da casa onde o bandido morreu.

“Aconteceu tudo bem aqui do nosso lado, estávamos dormindo na hora e só vimos a movimentação da polícia depois”, frisa o homem, se aproximando da repórter que o questionava do lado de fora dos portões de sua casa dotada de grade alta e cerca elétrica.

A segurança por meio de cercas, sejam elétricas ou cortantes, inclusive, é uma característica observada em quase todos os imóveis daquela quadra. Apesar disso, o casal fecha questão. “Nunca aconteceu nenhum assalto por aqui, a cerca é só por prevenção mesmo”.

A mesma resposta foi dada por um dos filhos do casal feito refém na noite de anteontem que, apesar de atender a reportagem na porta de sua casa na manhã de ontem, preferiu não conceder entrevista. “Isso nunca aconteceu antes, mas já está tudo certo e estamos todos bem”, afirmou o rapaz, voltando para dentro do imóvel.

Horas antes

O espanto é que em frente à residência da família onde tudo ocorreu funciona ainda uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei), que havia fechado as portas cerca de uma hora antes do assalto ocorrer.

“Ficamos abertos até umas 19h30 naquele dia. Um pouco antes e teria coincidido com a saída das crianças, nem quero imaginar como seria. O pessoal está bem assustado, estão todos comentando, afinal aqui sempre foi um lugar tranquilo”, afirma a funcionária de 37 anos da Emei, que assim como os outros entrevistados pediu para não ser identificada.

O mesmo questionamento é feito por outro vizinho, de 84 anos. “Não dá mais para colocar a cadeira na calçada para conversar com o pessoal. Infelizmente, nenhum lugar está tranquilo hoje em dia”, finaliza o homem, olhando para as grades e o muro alto da casa onde tudo ocorreu.


Assaltante tinha passagem por tráfico

Rafael Walan Pereira de Souza era o único entre os três assaltantes que possuía antecedente criminal. De acordo com o delegado Cledson Luiz do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Rafael foi preso em 2012, aos 18 anos, por tráfico de drogas.

O corpo do acusado foi velado em sua própria casa, no Parque Roosevelt, e o enterro deve acontecer hoje pela manhã, no Cemitério Cristo Rei.


O caso

O assalto à residência na quadra 11 da rua Nicola Avalone, no Jardim Bela Vista, ocorreu por volta das 20h30 de anteontem.

Os três acusados – Rafael Walan Pereira de Souza, Lucas Felipe de Carvalho Campos e Victor Lisboa Rafael – chegaram ao local em um Palio vermelho e invadiram a garagem da residência, possivelmente por um portão destrancado, já que não havia outro meio de acesso ao imóvel, protegido por muros e grades altas.

Munidos de um revólver calibre 38, os bandidos renderam três moradores do imóvel, entre eles um casal com 71 e 62 anos. No entanto, um quarto morador, filho do casal, conseguiu se esconder e acionou a Polícia Militar. No local, houve troca de tiros entre a polícia e Rafael, que acabou morto após ser atingido no pescoço e no tórax.

As armas, tanto do policial quanto do rapaz, foram apreendidas. O revólver calibre 38 estava com cinco munições intactas e uma deflagrada. Já a pistola ponto 40 do policial estava com 13 cartuchos intactos e dois deflagrados.

No veículo dos acusados, a polícia apreendeu ainda uma chave mixa.

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