Sem a chuva que ameaçou chegar, mas não veio, o primeiro dia de desfiles em Bauru atraiu um grande público ao Sambódromo, na noite de ontem. Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de 25 mil pessoas lotaram as arquibancadas para prestigiar as escolas de samba e blocos que passaram pela avenida. No ano passado, o número foi de 15 mil.
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Aceituno Jr. |
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Mesmo com imprevistos e algum atraso, blocos e escolas de samba empolgaram público que compareceu ao Sambódromo |
Sem atrasos, o desfile começou às 20h, com a entrada do quinteto real do Carnaval bauruense: o Rei Momo Jeremias Neques, a Rainha Jéssica Dias do Nascimento, a Rainha da Diversidade Nadla Lambaires e o rei e rainha da Melhor Idade, novidade em 2014, Carlos José da Silva, 61 anos e Maria Inês Silveira, 60 anos.
A primeira agremiação a entrar na passarela do samba foi o bloco Império da Lagoa do Sapo, que prestou uma homenagem aos 50 anos da Vila Falcão. Com aproximadamente 170 componentes e desfilando pelo segundo ano no Sambódromo, o bloco conseguiu levantar a arquibancada, apesar de um problema técnico enfrentado logo no início, que deixou o microfone do intérprete mudo por cerca de cinco minutos.
Com o imprevisto, o bloco acabou entrando com 15 minutos de atraso na avenida. Já o bloco Ouro Verde tomou a passarela do samba às 21h30, 45 minutos depois do horário previsto.
Com enredo que contou a história dos 12 anos do projeto 100% Arte, desenvolvido no bairro, a agremiação mostrou evolução em relação ao que apresentou no ano passado. Assim como o Império da Lagoa do Sapo, também conseguiu contagiar o público, principalmente por conta da atuação empolgada de seu mascote, Carioca, que desfilou no primeiro carro.
Improviso
Às 22h20, a primeira escola de samba a entrar na avenida, a Tradição da Zona Leste, trouxe como enredo o envolvente mistério das lendas amazônicas e suas belezas, tema que desempenha importante papel para a cultura brasileira. Um dos destaques foi a comissão de frente, composta por “indígenas” que, de maneira coreografada, entravam e saíam de uma oca para apresentar a agremiação.
Com fantasias improvisadas de última hora, a escola Imperatriz da Grande Bauru começou o seu desfile às 23h50 para levar ao Sambódromo um pouco da cultura afro-brasileira. Segundo os organizadores, o fornecedor dos adereços, oriundo de Piracicaba, não entregou a encomenda a tempo e parte do que chegou à agremiação foi produzida em baixa qualidade.
Bastante chateada, cerca de metade dos componentes acabou deixando de entrar na avenida. A expectativa é de que a escola perca pontos por conta do ocorrido.
A última agremiação a se apresentar foi escola de samba Acadêmicos da Cartola, que contou a história de “Uba-Uru”, ou Bauru, “cesto de frutos” repleto de personalidades e feitos importantes, dos índios caingangues ao seu lanche mais tradicional. Por conta do fechamento desta edição, à meia-noite, a cobertura completa dos desfiles das duas últimas escolas será publicada no Jornal da Cidade de segunda-feira.
Amadurecimento
O prefeito Rodrigo Agostinho destacou que os blocos e escolas de samba de Bauru vivem um momento de amadurecimento, profissionalização e independência financeira que se fortalece a cada ano.
“Eles vêm mantendo suas estruturas próprias, independentemente dos recursos repassados pela prefeitura e o resultado é este: o Sambódromo cheio”, destaca.
Em relação à passarela do samba, o chefe do Executivo ressaltou que, pela primeira vez na história recente dos desfiles, o asfalto da avenida recebeu cobertura com tinta branca especial – e não cal – que confere maior destaque às alegorias. “Era uma reivindicação antiga das agremiações”, observa.
Outra novidade é o recuo para a bateria das escolas, que já está pronto, mas que deverá ser inaugurado somente no Carnaval em 2015, já que as escolas não tiveram tempo de realizar ensaios técnicos para utilizá-lo neste ano.
Sem ocorrências
O primeiro dia de desfile no Sambódromo transcorreu sem nenhuma ocorrência grave, segundo informações prestadas pela Polícia Militar. Para garantir a segurança dentro e no entorno do local, foram destacadas equipes da Força Tática, cavalaria, Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (Rocam) e patrulhamento de área. O efetivo será novamente destacado para o segundo dia de desfiles, programado para a noite de amanhã.
Regras e apuração
Neste ano, 27 jurados vão analisar o desempenho das escolas de samba e blocos no Sambódromo de Bauru, nos desfiles de sábado e segunda-feira. Eles levarão em conta os nove quesitos que compõem a plataforma de análise para se chegar à escola e bloco campeões. Portanto, cada quesito terá a análise de três jurados. A menor nota é descartada. As outras duas são somadas à pontuação geral.
A apuração será realizada quarta-feira, a partir das 15h, na sede da Secretaria de Cultura, na avenida Nações Unidas, onde fica o Teatro Municipal. Os jurados ficam distribuídos em cabines estrategicamente colocadas ao longo dos 400 metros da passarela do samba. Cada escola tem 60 minutos para percorrer a pista, sob pena de perda de pontos caso ultrapassar o limite de tempo.
O secretário de Cultura, Elson Reis, responsável pela organização geral dos desfiles, comenta que a ampliação de dois para três jurados por quesito neste ano torna ainda mais transparente e representativo o julgamento e a proclamação das campeãs. Segundo ele, as notas vão de zero a 10, podendo ser fracionadas à metade. Exemplos: 9,5 e 7,5.
Os quesitos em julgamento são comissão de frente, mestre-sala e porta bandeira, enredo, samba-enredo, evolução, harmonia, bateria, fantasia e alegorias e adereços.
Plano é recorrer ao Ministério do Turismo para ampliar Carnaval
Durante o primeiro dia de desfiles, o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, revelou que a administração municipal tem planos de apresentar projeto ao Ministério do Turismo para requerer recursos com o objetivo de ampliar o Carnaval bauruense. “Temos um dos maiores Carnavais do Interior do Estado. Com recursos federais, teríamos condições, por exemplo, de reformar o Sambódromo”, revela.
A folia na avenida em Bauru foi retomada em 2010 e, desde então, segundo Reis, as escolas têm se empenhado “em fazer valer” o investimento municipal. “A gente sente que eles vêm utilizando os recursos para o evento. A população, a Polícia Militar e a imprensa também contribuem para o sucesso do espetáculo”, completa.
Por conta do crescimento dos desfiles de Carnaval, com a adesão cada vez maior de escolas e foliões, a secretaria já estuda ampliar o tempo de desfile dos blocos e até mesmo os dias de Carnaval. “São mudanças que demandam um custo maior, algo que nos preocupa, mas sabemos que é algo natural para um evento que vem se destacando tanto no calendário anual da cidade”, finaliza.
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