Carnaval 2014

Magia na avenida

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

O pássaro de pluma vermelha e de canto maravilhoso é atingido pela flecha de uma donzela apaixonada, transformando-se num belo e forte guerreiro. Um belo rapaz desconhecido, de roupas brancas, sapatos brancos e o característico chapéu branco: é o boto. A Cobra Grande, um animal imenso, que cresce de forma desmensurada, abandona a floresta e passa a habitar a parte profunda dos rios.

Contos misteriosos como esses fizeram parte do enredo da escola de samba Tradição da Zona Leste, que fez um verdadeiro convite ao público a viajar pelas belezas da Amazônia, suas envolventes lendas, a colonização dos espanhóis nas Américas e as histórias misteriosas contadas em rodas de conversas ou na beira de um rio. A Tradição da Zona Leste, que representa o bairro Mary Dota, foi a terceira agremiação a entrar na passarela no primeiro dia de desfiles.

Com muitos detalhes em suas alegorias e uma bateria afinada, os carros alegóricos fizeram o público conhecer algumas das importantes lendas e histórias esquecidas. Cobra Grande, Uirapuru, Boto, Iara, Jurupari, Tupã, Índia Mãe e muitas outros personagens, histórias e riquezas da Amazônia enfeitaram a pista do Sambódromo com seres mágicos e curiosos.

Índios

A verde e branco começou o desfile com uma comissão de frente que apresentou uma criativa coreografia com os índios, que saíram de uma espécie de oca em movimento, sugerindo o público a lembrar da cultura indígena.

Com cerca de 600 integrantes, o enredo “Lendas Amazônicas: acreditem nelas ou não!” colocou na avenida 12 alas e cinco carros alegóricos.

“Acho que este ano o desfile da Tradição foi muito bom, melhor que no ano passado. Em termos de alegorias, conseguimos trabalhar mais os detalhes, demos um maior acabamento. Torcemos para que neste ano venha o título de campeã”, avaliou Francisco Carlos Saes, o Chiquinho, presidente da agremiação.


Clima era de organização e tranquilidade

Na concentração da primeira escola de samba da noite a entrar, a Tradição da Zona Leste, o clima era de organização e tranquilidade entre a organização e os sambistas, que demostravam alegria contagiante nos bastidores.

No mesmo cenário, um guindaste auxiliava a escola a colocar os personagens-destaque, entre eles, Eduardo Cardoso, veterano na escola, no topo dos grandes carros alegóricos.

Nos bastidores da escola, vice-campeã do Carnaval do ano passado, atuavam ainda na organização dos membros e alegorias os vereadores Marquinhos da Diversidade (PMDB) e Roque Ferreira (PT).

O clima entre todos os foliões era de expectativa pela conquista do título. “Já vencemos! Estamos todos muito confiantes neste ano. A zona leste vai que vai”, brincam Leandro Barbosa, 22 anos, e Luiz Eduardo Franco, de 18 anos, índio e pajé que compunham o cenário da comissão de frente da escola, que trazia em seu enredo as lendas amazônicas.


Romance Uirapuru

Ele, empresário e novato no Carnaval; ela, agente escolar e foliã pelo sétimo ano. Sergio Eduardo da Silva, de 46 anos, e Denise Aparecida dos Santos, de 38 anos, formaram o casal de mestre-sala e porta-bandeiras da escola Tradição da Zona Leste.

As fantasias, que abusavam de detalhes em vermelho e dourado, foram baseadas na lenda dos uirapurus, em que dois índios se transformaram em pássaros para viver um amor proibido na tribo.

“Já vencemos, não tem para ninguém”, fecha questão Denise, mostrando samba no pé e muita elegância na passarela, mesmo com a fantasia que pesava aproximadamente 8 quilos.

Formada por dezenas de sambistas tomados pela cor amarela, a bateria da Tradição da Zona Leste teve como rainha a drag queen Valentina Prince, que também representou a Rainha da Diversidade do Carnaval em 2013. “Ganhando ou não, o que importa é mostrar a zona leste e a exuberância da diversidade”, disse Valentina ao JC.

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