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Tradicional bloco faz crítica social

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Toda de vermelho, vestida de “Havana cubana”, em menção à polêmica réplica da Estátua da Liberdade instalada por uma loja de departamentos na entrada de Bauru, Tatiana Calmon dispara: ‘Carnaval não é alienação’.

A frase simboliza bem o tom adotado pela maioria dos foliões do bloco “Bauru Sem Tomate é Mixto”, que desfilou ontem pelo Calçadão da Batista de Carvalho.

Com críticas, ironias, sátiras e, principalmente, bom humor e alegria, os foliões se concentraram sob o sol e o calor do meio-dia, na Praça Rui Barbosa, onde também juntaram as vozes para cantar a “Marchinha Bauru, Alegria sem Mixaria”, composição de Tatiana com Silvio Selva.

“Nosso bloco vem com esse conceito desde o ano passado, de brincar sem deixar de fazer a crítica àquilo que está acontecendo de ruim na cidade”, acrescenta a “Havana cubana”.

Para “derrubá-la”, Guilherme dos Reis Pereira, o conhecido Tio Gui, trouxe de casa um rodo. Pudera fosse fácil assim resolver a polêmica em torno da estátua local. Em clima de descontração, pessoas de variadas idades e perfis, entre elas artistas, petistas, militantes e simpatizantes de esquerda, por exemplo, seguiram o bloco.

Também esteve presente o pré-candidato tucano a deputado federal, Ricardo Carrijo, cuja família sempre foi ligada ao Carnaval de Bauru. “Acho muito legal essa proposta de fazer crítica. É a essência do Carnaval em muitos lugares do Brasil, onde (a festa) é usada como oportunidade para reflexão e crítica social”, afirmou.

Cuba

Muito mais comedida, sem interesse em críticas de qualquer natureza, também participou do bloco “Bauru Sem Tomate é Mixto” a médica cubana que trabalha em Agudos, Jackeline Josephs.

Ela disse ter aceitado o convite de participar da brincadeira. Com postura tranquila e reservada, desejada por Dilma Rousseff e os irmãos Castro, a clínica geral afirmou estar gostando do trabalho no Brasil, país onde já conquistou o carinho e o respeito dos pacientes.

Ela foi convidada a participar do evento por Darcy Rodrigues, que permaneceu exilado em Cuba por 10 anos. Ele deixou o Brasil após abandonar a carreira no Exército para lutar contra a ditadura militar. Todos eles participaram do bloco que prestou homenagem a Esso Maciel. Vestido de onça, o artista plástico foi padrinho da bateria e puxou o “Bauru Sem Tomate é Mixto”, que atraiu dezenas de pessoas.

“É uma honra. É o bloco mais alegre, mais maluco, mais ‘f’. É o que mais tem a ver comigo”, bradou. Por conta da irreverência, o grupo chamou atenção do público no entorno, como é o caso de Tatiana e Letícia Batista, mãe e filha. Ambas acharam interessante a proposta e pediram até a letra da marcha.

“As pessoas me perguntam se as críticas são ao prefeito. Não. São problemas que existem no dia a dia, nenhum prefeito vai acabar com todos. Me perguntaram por que a gente não fala do mensalão, mas tem tenta coisa próxima, em volta da gente, que demora muito chegar até Brasília. Aliás, intelectualmente falando, Dostoiévski já dizia que temos de falar da nossa aldeia”, conclui o também autor da marchinha, Silvio Selva.

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