Polícia

?Não me mata... eu sou seu amigo?

Vitor Oshiro e Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Um pedido de clemência enquanto recebia vários golpes de faca. Amigos que testemunharam Martins Rodrigues do Nascimento Neto, 29 anos, ser assassinado na noite de anteontem contam que ele pedia para não ser morto e reafirmava a amizade com seu agressor.

Apontado como o autor do 13º homicídio em Bauru, José Ferreira da Silva, 39 anos, segue foragido.

O crime ocorreu na quadra 1 da travessa Zahie Assad Cury, em frente ao alojamento onde a vítima morava, no Jardim Terra Branca. Martins Rodrigues foi golpeado várias vezes pelo carpinteiro conhecido como José Alagoa.

O corpo da vítima será enterrado no município de Beneditinos, no Piauí, Estado onde deixou a família para vir trabalhar no Interior paulista. Ele estava há cerca de dois anos em Bauru. Ontem à tarde, amigos e colegas de trabalho se despediram dele, no Centro Velatório Terra Branca.

Parte dos presentes assistiu ao momento em que Martins foi assassinado. “Ele começou a ser golpeado várias vezes. Dizia para o colega de trabalho: ‘não me mata... eu sou seu amigo... eu te amo’”, relata Orlando Cardoso dos Santos, 39 anos.

Os pedidos de clemência não foram suficientes para evitar o homicídio. De acordo com testemunhas, vítima e autor bebiam tranquilamente juntos antes do crime. Pouco depois, alcoolizados, passaram a brigar.

“O Rodrigues ficava falando para o outro: ‘Você tá me tirando... você tá me tirando. De repente, começaram a brigar”, relata Orlando. Quando ambos saíram com faca, apenas um dos colegas tentou separá-los, mas foi ferido na mão.

As testemunhas contam que, após as facadas, José Alagoa fugiu. De acordo com o boletim de ocorrência, o homem escapou em um Peugeot 206, placas DHZ-0350.

Ontem pela manhã, quem esteve no local do crime foi o irmão de Martins, que trabalha em uma cidade próxima a Bauru. Ele recolheu objetos pessoais do pedreiro, cujo corpo será transladado de avião para o enterro. “Sem beber, eles eram ‘de boa’”, comenta Josimar Ferreira, que morava no mesmo alojamento da vítima há um ano e oito meses.

Ele estava presente quando a família de Martins foi comunicada por telefone sobre o homicídio. Conta que foi a irmã quem atendeu e, aos prantos, repetia não saber como dar a notícia à mãe.


Forró em Piratininga

A tragédia certamente não fazia parte dos planos dos dois colegas de trabalho. Muito pelo contrário. Testemunhas contam que eles planejavam aproveitar a primeira noite de Carnaval em um município vizinho de Bauru.

“Eles iriam naquela noite para Piratininga juntos. Estavam combinando de ir para um forró lá. Não dá para acreditar que terminou assim”, lamentou Orlando Cardoso dos Santos. 

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