Carnaval 2014

Na nossa terra só tem gente bamba!

Mariana Cerigatto e Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Abre-alas da Cartola entra na avenida na madrugada de sábado para domingo

Quando ela entra na passarela, seu desfile é inconfundível. Com direito a uma queima de fogos no início e no fim do desfile, a Acadêmicos da Cartola foi a última agremiação a desfilar no primeiro dia de Sambódromo com muito prestígio do público, na madrugada de sábado para domingo.

Um dos destaques ficou para o surpreendente número de componentes da agremiação, que preencheu a passarela do samba com suas vistosas fantasias.

Neste ano, a escola do Parque Vista Alegre se propôs a falar de personalidades e entidades que marcaram e ajudaram a construir a história de Bauru, dentro do enredo “Frutos de uma terra abençoada - Uba-Uru”. Um ponto alto, sem dúvida, ficou para o carro abre-alas e a comissão de frente.

Coreografados por Merene Lobato, os oito bailarinos – também atores – são, em sua maioria, alunos do Curso de Teatro Paulo Neves, e representaram os índios caingangues, os primeiros a habitarem a nossa região. O primeiro carro, bem majestoso, explorou a figura do índio e alegorias ligadas à mata e à natureza.

Uma das alas trouxe foliões da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru. Outra ala, da imprensa, lembrou de uma das primeiras emissoras de rádio em Bauru, a PRG-8. Também foram homenageados Tuba Ferreira, um dos criadores do Tamborim de Ouro, e a família Simonetti, que impulsionou a imprensa e o desenvolvimento de emissoras de rádio e TV na cidade.

Pessoas ligadas às artes e ao teatro também foram lembradas, como Celina Neves. No desfile, Thiago Neves esteve representando a família. Também foi um dos responsáveis por coordenar os atores que embalaram a comissão de frente dos caingangues.

“A Cartola fez questão de levar ao público mais um desfile maravilhoso, tendo nosso enredo como um desafio. Foi um desafio falar de pessoas tão importantes para a cidade. Mas acho que conseguimos cumprir o que tínhamos traçado”, avaliou o presidente da agremiação, Pasqual Storniolo.

Mais homenageados

Foliões ainda representaram a ala dos músicos, que também teve direito a um carro alegórico. Crianças estrelaram na ala da Turma da Mônica, que fazia referência à personagem mais famosa dos quadrinhos criados por Maurício de Sousa. Para quem não sabe, a Mônica existe de verdade, é filha de Maurício e nasceu em Bauru na época em que ele morou aqui por aproximadamente dois anos, de 1960 a 1962.

O astronauta Marcos Pontes, o lanche bauru e seu criador, Casimiro Pinto Neto, o arquiteto Jurandyr Bueno, o Vitória Régia, Automóvel Clube; o pioneiro João Coube, que impulsionou a indústria gráfica na cidade; a Casa da Eny, que ficou famosa Brasil afora; o futebol, o basquete; o astrólogo João Bidu, o diretor Mauro Rasi, o ator Edson Celulari e outras personalidades e lugares foram lembrados na letra do samba e nas alegorias da Cartola.


Clima da concentração

Com aproximadamente 1.200 integrantes, a Acadêmicos da Cartola exibia organização e muita animação dos sambistas e da bateria na concentração, que ficou tomada por formas e cores.

“A Cartola é linda de viver. Sou Cartola do começo ao fim”, gritavam, empolgadas, Mirian Camilo Alves, de 36 anos, e Maria Eduarda Alves, de 15 anos, mãe e filha, respectivamente, sambando com o grupo da ala que homenageava os arquitetos da cidade.

Pai e filho, Fabio Figueiredo, de 34 anos, e Vitor, de 7 anos, também esbanjavam alegria antes da abertura dos portões para a escola, que aconteceu à 1h10. “Meu filho sempre sonhou em desfilar, hoje estamos nos realizando aqui”, comenta Fábio.

Rainhas da escola e da bateria, respectivamente, a professora de dança Daniela Souza Costa, de 17 anos, e a vendedora Andreia Ferreira, de 21 anos, não paravam de sambar um minuto sequer na concentração. “Estou muito feliz, é a minha primeira vez no carnaval”, comenta Daniela. “Para nós a Cartola já é a campeã de 2014”, completa Andreia.


Índios da aldeia Araribá desfilam na passarela

Representando os índios caingangues, da tribo de Uba-Uru, que deu origem ao nome atual da cidade, cerca de 20 índios da aldeia de Araribá, de Avaí, desfilaram pela Cartola.

Apesar do pouco jeito com os passes do samba, os representantes da tribo esbanjavam animação na concentração e na passarela. “É uma oportunidade de mostrarmos a nossa comunidade e dizer para o mundo que a cultura indígena está viva”, pontua o líder do grupo, Chicão Terena. 

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