Éder Azevedo |
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Carro abre-alas da Imperatriz da Grande Bauru entra no Sambódromo lotado |
“Apesar dos problemas, nós adoramos Carnaval e vamos desfilar”. Foi mais ou menos essa a frase dita pouco antes do início do desfile da Imperatriz da Grande Bauru, que foi a penúltima agremiação a desfilar no primeiro dia do Sambódromo, no final da noite de sábado.
Sem fantasias, a Imperatriz deu uma lição de improviso na passarela. Com enredo que exaltava os orixás, a escola entrou com poucos integrantes na avenida.
A maioria, segundo o presidente, José Carlos Zotino, havia desistido de desfilar. “Tivemos que improvisar tudo de última hora. Muita gente desistiu porque perdeu o estímulo de desfilar quando soube que estaria sem fantasia. Nossos destaques também foram prejudicados”, lamentou.
Segundo Zotino, a escola havia negociado a confecção de fantasias com um ateliê de Piracicaba. No entanto, as fantasias não chegaram. Por conta da situação, um boletim de ocorrência foi registrado.
“Apesar de tudo isso, nós persistimos e viemos desfilar por respeito ao público. Quem sabe um dia a gente chega lá”, disse Zotino, ao final do desfile.
História
A agremiação, que ressurgiu no Carnaval do ano passado, tem história na Festa do Momo. Fundada em outubro de 1980, já foi campeã e vice-campeã de carnavais passados em Bauru, só que suspendeu as atividades em 1984. Em 2013, a agremiação voltou a desfilar no Sambódromo, na condição de convidada e sem poder competir com as outras agremiações.
Neste ano, a Imperatriz concorre normalmente com as outras escolas, porém com uma verba parcial por não ter cumprido todos os itens do regulamento no ano passado; assim, recebeu o valor de R$ 17.666,00. Já as escolas que cumpriram todos os itens do regulamento do último desfile receberam R$ 53 mil.
Cultura afrobrasileira
Na passarela, a Imperatriz pôde representar um pouco dos rituais e dos orixás das religiões afro-brasileiras com o enredo “Mojubá: meu samba canta a magia dos orixás”. Logo no abre-alas, uma teatralização de um dos rituais foi apresentada ao público. A primeira ala fazia um manifesto de saudação, o Mojubá.
Um dos primeiros carros alegóricos trazia também importantes entidades africanas. E assim seguiu o desfile, com homenagens a outros orixás. Para finalizar, o último carro alegórico fez referência aos “orixás de esquerda”, como os Exus.
Obaluaê e as pipocas
Entre os personagens da escola que chamavam a atenção do público na passarela estava a imagem do orixá Obaluaê, representado pela vendedora Fernanda Redondo, de 38 anos. Com passos carnavalescos que se misturavam ao ritmo da umbanda, a foliã encenava a entrega de pipocas como oferenda ao público.
“Segundo a lenda, Obaluaê teria nascido com o corpo coberto por chagas, mas em uma noite na praia suas feridas acabaram curadas por outro orixá e transformaram-se em pipocas”, explica a foliã.
A animação de Sabrina da Silva, de apenas 8 anos, destaque da comissão de frente da Imperatriz da Grande Bauru, também chamava a atenção durante o desfile. “Gosto muito do Carnaval, é a segunda vez que participo”, afirmou a garota, sorrindo.
Concentração teve tristeza
Uma onda de insatisfação e tristeza tomava os integrantes da segunda escola de samba a desfilar no Sambódromo, na noite de sábado.
Conforme o JC antecipou na edição de ontem, um problema com a empresa responsável pelas fantasias da escola fez com que mais da metade dos integrantes desistissem de desfilar.
“Pedimos as fantasias para as nove alas e vieram de três apenas e, grande parte estava mal feita. Sabemos que não teríamos condições de competir de igual para igual pelo título, mas queríamos, pelo menos, fazer um desfile bonito”, lamenta o presidente da escola José Carlos Zotino.
“Tinha roupa até rasgada. Tivemos que improvisar tudo, principalmente da ala das crianças”, completa Sueli Delfino, membro da organização da escola
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