A Ucrânia anunciou, neste domingo (2), que pôs os seus reservistas em estado de alerta e fechou o seu espaço aéreo para aviões não comerciais. As medidas vêm um dia após o Senado da Rússia aprovar o envio de tropas para a região autônoma da Crimeia, que pertence à Ucrânia.
O diretor do Conselho de Segurança Nacional ucraniano, Andrei Parubi, afirmou que o Ministério da Defesa "chamará todos os reservistas necessários às Forças Armadas neste momento".
O objetivo é "garantir a segurança e a integridade territorial da Ucrânia após a violação dos acordos bilaterais por parte da Rússia, em especial sobre a frota do mar Negro", disse Parubi.
`À beira do desastre"
Arseni Iatseniuk, primeiro-ministro ucraniano, afirmou que, "se o presidente russo quer ser aquele que iniciou uma guerra entre dois países vizinhos e amigos, está perto de atingir o objetivo. Estamos à beira do desastre".
Neste domingo (2), o Parlamento da Crimeia, que não reconhece a autoridade do governo interino da Ucrânia sobre a região, decidiu criar a sua própria Marinha de Guerra.
O comandante da Marinha ucraniana, Denis Berezovsky, anunciou que aderiu às autoridades pró-Rússia da Crimeia e será acusado de traição por Kiev.
Na capital, cerca de 50 mil pessoas foram à praça da Independência protestar contra a situação. "Não nos renderemos", gritavam.
Em Bruxelas, após uma reunião de urgência de oito horas, o secretário-geral da Otan, Anders Rasmussen, pediu que a Rússia respeite a integridade do território da Ucrânia e retire suas tropas.
Ele diz que a incursão militar na península da Crimeia viola normas internacionais.
O presidente russo, Vladimir Putin, aceitou a formação de "um grupo de contato" para "iniciar um diálogo político" sobre a crise na Ucrânia, o que lhe foi proposto diretamente por telefone pela chanceler alemã Angela Merkel.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, alertou que, com a ação na Crimeia, a Rússia arrisca perder seu lugar no G8 (grupo de sete potências mais a Rússia).
Ele ameaçou boicote à reunião de junho do grupo, no balneário russo de Sochi. "Não haverá um G8, e provavelmente a Rússia não continuará no grupo caso o conflito persista". A Grã-Bretanha e a França anunciaram a suspensão de suas participações nas reuniões pré-cúpula.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha se mostrou cético quanto a uma eventual exclusão da Rússia do G8. "É o único foro em que os ocidentais falamos com a Rússia. É conveniente sacrificá-lo?".
Nesta segunda-feira (3), ministros da União Europeia se reúnem para tratar do assunto.