A noite de Carnaval em Barão Geraldo, distrito de Campinas (261 quilômetros de Bauru), terminou em confronto de foliões com a Guarda Municipal, depredação de alguns estabelecimentos comerciais e saque a pelo menos um supermercado na madrugada de desta terça-feira (4).
A confusão começou por volta da 1h30, segundo comerciantes e moradores, no distrito onde também fica a Unicamp. A guarda tentou acabar com a festa, que reuniu cerca de 500 pessoas, mas elas se recusaram a ir embora.
Houve tumulto e guardas municipais usaram bombas de efeito moral e munições de borracha para dispersar a multidão. Parte das pessoas revidou arremessando garrafas de vidro e pedras portuguesas, retiradas das calçadas, contra a guarda.
Um tiro acertou a parede de um bar e, por pouco, não acertou uma criança de três anos que estava no colo de uma cliente. "Por trinta centímetros [o disparo] não acerta uma das duas", diz Ivanir Victor, proprietário do Eskina Bar.
Grupos se aproveitaram da confusão para quebrar vidros de pelo menos duas agências bancárias e um café e arrombar a porta de uma banca de jornal e de um supermercado. Bebidas foram saqueadas.
Batidão
A Polícia Militar foi acionada pelo 190 e o Batalhão de Ações Especiais da Polícia (Baep), uma espécie de Tropa de Choque de Campinas, foi convocado.
"Tendo em vista a situação no momento, foi necessário a atuação mais incisiva da PM, por meio de ações de controle de distúrbios civis", informou a corporação, em nota. "As pessoas envolvidas no tumulto não estavam ali com o simples propósito de se divertir e sim causar danos ao patrimônio."
A cerca de um quilômetro do local onde ocorreu o primeiro confronto, moradores do bairro faziam uma roda de samba em uma praça, que havia recebido um bloco carnavalesco. Era por volta das 2h30 quando moradores afirmam terem sido surpreendidos por policiais militares, que chegaram arremessando bombas de efeito moral e disparando munições do borracha contra o grupo, de cerca de 300 pessoas.
"Eles chegaram jogando bomba e dando tiro. Ninguém pediu para abaixar o som ou algo do tipo", diz Juliane Barbieri, 27 anos, comerciante que mora em frente à praça e organiza o bloco do bairro. "Fui tentar conversar com os policiais, para entender o que estava acontecendo, e eles falaram: 'acabou a farra de vocês'", diz Barbieri.
Antonio Prado, 62, dono da banca que foi depredada, mora no bairro e estava na praça minutos antes da ação da PM. "Tinha criança e família lá. De repente a polícia chegou indiscriminadamente jogando bomba no meio das pessoas", diz Prado. "Eles consideraram tudo a mesma coisa, sem ter inteligência prévia."
Outro Lado
Procurada, a PM informou que "utilizou munição de borracha e bombas de efeito moral para controlar a situação e fazer cessar as atitudes excessivas por parte das pessoas mal-intencionadas".
Segundo a corporação, não houve detidos pela PM e até o momento não há informações sobre possíveis vítimas da ação policial.
A Folha de S.Paulo tentou contato com a Prefeitura de Campinas, responsável pela Guarda Municipal, mas o telefone de plantão da assessoria de imprensa não atendeu.
O secretário municipal de Segurança Pública, Luiz Augusto Baggio, não foi encontrado para comentar a ação da Guarda Municipal, que é subordinada à pasta comandada por ele.