No início do ano escrevi artigo questionando àqueles que ainda afirmavam que o ano, no Brasil, começa somente após o carnaval. Na oportunidade alertei para os movimentos fortes de início de ano, como pagamento de tributos, como a necessidade de manter a equipe motivada para vendas, como a alta dos juros e ainda que o carnaval deste ano seria em março, portanto, quem não entendesse toda a movimentação econômica de início de ano iria ter problemas ali na frente.
Você consegue imaginar que algum executivo ou profissional liberal ou um funcionário de uma empresa que tenha se permitido retornar ao trabalho agora, mais de 60 dias do final do ano passado? O que teria perdido neste período? Vamos elencar alguns pontos. No contexto macroeconômico o crescimento da economia já foi revisto, infelizmente para baixo, pelo menos duas vezes. Inicialmente projetava-se 2,5%, depois foi revisto para 1,9% e agora o próprio governo admite crescimento de 1,5%. Um agente econômico que ficou ausente neste tempo não pôde redesenhar sua atuação, prejudicando em muito sua organização ou sua atuação profissional.
Com a escalada dos preços o Banco Central do Brasil elevou a taxa básica de juros, atingindo 10.75% ao ano. Quem saiu de férias em dezembro e voltou agora, também não acompanhou as pressões da economia, que culminaram neste comportamento da autoridade monetária. Se atua no varejo ou depende de recursos de terceiros para viabilizar seus negócios, não estabeleceu nenhuma estratégia para neutralizar as decisões tomadas.
Também perderam o anúncio e a repercussão do recente pacote fiscal, com cortes de R$ 44 bilhões no orçamento público. Isso sem dúvida altera a atuação do governo na economia. Quem ficou ausente neste período não acompanhou o nervosismo no câmbio, com dólar ultrapassando em determinados momentos os R$ 2,42 (dólar comercial de venda) e, se atuam em empresas operam no comércio exterior, não fizeram nenhum movimento visando enfrentar estas oscilações da moeda estrangeira.
Isso tudo sem falar da queda da Bolsa de Valores brasileira, da mudança dos rumos da economia norte-americana, dos problemas enfrentados pela Argentina, só para citar alguns exemplos. No âmbito do orçamento familiar já vieram matrícula escolar, IPVA, está chegando o IPTU, enfim, o mundo econômico é uma roda que não para e roda cada vez mais veloz. Com tudo isso acontecendo, é possível desejar feliz ano novo agora, após o carnaval? O ano que começa agora? Evidentemente que a resposta é não. Quem não se deu conta que é preciso quebrar paradigmas e entre eles calendários rígidos como se via no passado, ficará para trás.
Na era do conhecimento a única certeza é que as coisas mudarão, e desde o início do ano para cá, mudaram e mudaram muito. Reveja suas crenças e trabalhe firme nestes 10 meses que restantes, porque o mercado está bombando há muito tempo.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC