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Acabará a ?cota? para ultrassom de urgência

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

A partir da semana que vem, não haverá mais limite diário no número de ultrassons destinados a pacientes de urgência e emergência atendidos pelo Pronto-Socorro Central (PSC) e, eventualmente, pelas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Atualmente, são oferecidos pelo Hospital Estadual (HE) apenas dois exames no período da manhã e outros dois à tarde.

 

Agora, a retaguarda aos pacientes do município será prestada pelo Hospital de Base (HB) e vai atender a toda a demanda real diária por ultrassom, sem restrições. Diretora executiva adjunta da Famesp, Deborah Maciel Cavalcante Rosa conta que a efetivação da mudança depende apenas de ajustes nas escalas de profissionais ultrassonografistas.

 

A cota de quatro exames por dia oferecidos pelo Estadual foi criticada na última sessão da Câmara Municipal pelo vereador Raul Gonçalves Paula (PV). As negociações entre o município e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) – que gerencia o HB e o HE – começaram há 15 dias.

 

Durante o feriado do Carnaval, seis pacientes ficaram internados à espera do exame. Na Quarta-Feira de Cinzas, três deles foram submetidos a ultrassonografias. O restante recebeu alta.

 

Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag pontua que o poder público não deve adotar a política de cotas diárias de exames para atendimentos de urgência e emergência.

 

“É inadmissível porque, a cada dia, a necessidade é uma. Em alguns, são exatamente quatro pedidos. Em outros, são até menos. Mas há também aqueles em que precisamos de 10 ou 12 ultrassons. Não dá para limitar”, pontua.

 

Luiz Sabbag demonstra otimismo com a mudança do local de exames do HE para o Base. “No Estadual é muito complicado. Quando um médico tira férias, por exemplo, os exames realizados por ele ficam suspensos. Além disso, ficará mais fácil porque não precisaremos mais transportar os pacientes”.

 

Reforço

 

Deborah Rosa, da Famesp, adianta que mesmo enquanto o serviço de ultrassom como retaguarda do Pronto-Socorro não for transferido para o HB, a unidade já vai reforçar o atendimento à demanda.

 

“Se houver mais que quatro pedidos por dia e houver um profissional disponível no Base, o paciente poderá fazer o exame. Na verdade, isso já vem acontecendo desde que tomamos a decisão sobre a mudança”, adianta.

 

Problema Novo

 

Apesar do número reduzido de exames de ultrassonografia oferecidos para a retaguarda do Pronto-Socorro Central (PSC), Deborah Maciel Cavalcante Rosa alega que os problemas relativos à oferta e demanda são recentes. “No histórico, os pedidos vêm sendo atendidos. Tive conhecimento da crítica durante o Carnaval”.

 

Ela explica que a Famesp presta o serviço ao município porque o PSC não possui equipamento de ultrassom. “Da mesma forma como ocorre com outros exames de laboratório e de diagnóstico por imagem”.

 

O Hospital de Base já oferece, sem limitações diárias, outros exames de diagnóstico para pacientes de urgência e emergência do município.

 

Antes de a Famesp assumir o gerenciamento, no entanto, a unidade não dispunha de equipamento de ultrassom. “É importante frisar que estamos aumentando a oferta”, ressalta a diretora executiva adjunta do HB.

 

Vereador quer dar publicidade

 

Após aprovar lei de sua autoria obrigando a publicação da lista de pacientes que aguardavam vagas de internação por mais de dois dias no Diário Oficial de Bauru e no site da prefeitura, o vereador Fabiano Mariano (PDT) apresentará proposta semelhante em relação à espera por exames solicitados pela rede municipal de Saúde.

 

A ideia é que sejam divulgados o sexo, a idade e as iniciais dos pacientes que estiverem na fila por mais de dois meses. O tipo de exame e a unidade responsável pela solicitação também ganhariam publicidade. Mariano diz que espera apenas conversar com o secretário de Saúde, Fernando Monti, para apresentar formalmente o projeto. “Quero saber se ele poderá contribuir de alguma forma, principalmente quanto à operacionalidade da lei. 

A fila é muito maior do que a de espera por internação e não gostaria de aprovar uma proposta boa, porém, inócua”, pontua. O parlamentar afirma haver casos de exames pedidos há mais de um ano que ainda não foram realizados. O aposentado Roberto Natal Afonso, 51 anos, não esperou a vaga para uma endoscopia pedida em março do ano passado. “Em agosto, fui atrás e não consegui. No final de ano, paguei um exame particular. Na verdade, foi presente de um sobrinho”.

 

Perdido

 

Para o mesmo projeto de lei, Mariano proporá que os pacientes recebam uma segunda via dos pedidos de exame. “Hoje, isso não acontece. Por conta disso, as pessoas perdem o controle e sequer sabem quando foi feita a solicitação”, explica o vereador.

 

 

 

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