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Putin diz a Obama que não pode ignorar pedido de ajuda da Crimeia |
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu que o presidente dos EUA, Barack Obama, não sacrifique as relações entre os dois países por "divergências sobre determinados problemas internacionais, por mais significativos que sejam", informou nesta sexta-feira o Kremlin.
Putin e seu colega americano conversaram por cerca de uma hora na quinta-feira à noite para discutir a crise na Ucrânia.
"O presidente russo insistiu na importância primordial das relações russo-americanas para a segurança e a estabilidade no mundo", disse a nota oficial.
Essas relações, acrescentou o Kremlin, "não devem ser sacrificadas por divergências sobre determinados problemas internacionais, por mais significativos que sejam".
Na segunda conversa deles por telefone em seis dias, realizada por iniciativa de Obama segundo a Presidência russa, os líderes trataram da "grave situação que se criou na Ucrânia" e constataram "divergências de enfoque e avaliação sobre as causas da crise e o atual estado de coisas".
Putin disse a Obama que as atuais autoridades ucranianas chegaram ao poder através de um "golpe anticonstitucional", que não têm um mandato em nível nacional e "impõem decisões absolutamente ilegítimas" às regiões do sul e sudeste da Ucrânia e na Crimeia.
Com isso, "a Rússia não pode ignorar os pedidos de ajuda e age de maneira adequada e em plena conformidade com as normas do direito internacional", acrescentou a nota.
Os dois presidentes concordaram que os responsáveis de Relações Exteriores de ambos os países continuarão "intensos contatos" sobre a situação na Ucrânia.
OBAMA
De acordo com a Casa Branca, Obama pediu no telefonema que Putin aceite o termos de uma solução diplomática para a crise na Ucrânia.
Obama enfatizou a Putin que a incursão russa na Ucrânia era uma violação da soberania ucraniana e da integridade territorial do país, de acordo com a Casa Branca.
Durante a ligação, Obama delineou os termos de uma "saída" diplomática que as autoridades americanas estão promovendo.
Os termos do acordo preveem que a Rússia recue as tropas para suas bases na Crimeia, permita que monitores internacionais acessem a região para garantir que os direitos dos russos sejam respeitados e consinta conversas diretas com autoridades da Ucrânia.
"O presidente Obama indicou que há uma maneira de resolver a situação diplomaticamente", disse a Casa Branca em um comunicado.
A conversa entre Putin e Obama aconteceu depois que o Parlamento da autonomia ucraniana da Crimeia, habitada majoritariamente por russos étnicos, decidiu incorporar seu território à Federação da Rússia e convocou um referendo para o próximo dia 16 para ratificar essa decisão.
Essa consulta foi declarada ilegal pelo governo de Kiev e a comunidade internacional.
ENTENDA
O território da Crimeia está no centro da atual disputa entre a Ucrânia e a Rússia que ameaça a segurança mundial. Os problemas começaram em novembro, quando multidões começaram a ir às ruas da capital ucraniana, Kiev, para pressionar o então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, a fechar um acordo comercial com a União Europeia em detrimento de um com a Rússia, sem sucesso.
O movimento se fortaleceu diante da derrota e ocupou a Prefeitura de Kiev e a Praça da Independência. O governo reagiu com violência e prisões arbitrárias, o que pareceu dar gás aos manifestantes. Depois de meses de embate, em fevereiro, Yanukovich deixou o país, e um governo interino pró-UE assumiu o poder.
O Ocidente reconheceu a troca, mas o governo russo viu nela um golpe de Estado. Com base nisso, alegou que havia ameaça aos cidadãos de etnia russa que vivem na Crimeia e foi, aos poucos, tomando o controle da área.
Das cerca de 2 milhões de pessoas que moram naquela península, mais da metade se considera de origem russa e, inclusive, fala russo no dia a dia.
