João Rosan |
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Lançamento oficial da campanha foi realizado ontem no Espaço Café com Política do Jornal da Cidade
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O professor de autodefesa ensinava uma técnica para evitar estrangulamento frontal quando uma das alunas desabou a chorar e disse: “se eu soubesse isso, não teria passado o que passei”. Essa é uma das muitas histórias que permeiam o programa “Mulheres que Brilham”, que oferece aulas gratuitas a mulheres em Bauru para combater a violência doméstica.
Com o lema “Porque até as rosas se protegem”, o programa da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes) foi lançado oficialmente ontem no Espaço Café com Política do Jornal da Cidade. Com exclusividade, o JC já havia noticiado a iniciativa inédita no final do ano passado.
Apesar do lançamento oficial ontem, as aulas começaram no fim de janeiro. A instituição contratada por meio de chamamento público e responsável pelas aulas é a Casa do Garoto.
São quatro turmas de 25 mulheres que são treinadas semanalmente, sendo que a maioria que já sofreu alguma violência ou vive em situação de vulnerabilidade.
“É importante frisar que a ideia não é fazer com que a mulher brigue com o marido. Pelo contrário. A ideia é que ela entenda que não precisa aceitar a violência. É um programa inédito no Brasil”, destaca a titular da Sebes, Darlene Tendolo.
As aulas são ministradas pelo professor de artes marciais e autodefesa Carlos Adalberto Murça. Ele explica que as alunas são treinadas em módulos e recebem técnicas táticas de imobilização marcial e golpes desequilibrantes e traumatizantes.
“Ensinamos que a mulher precisa ter autocontrole. Muitas chegam com uma autoestima muito baixa. Além das táticas e do condicionamento físico, tem todo esse caráter de trabalhar o psicológico dessas mulheres”, aponta o professor Murça.
O projeto, que foi elaborado pela assistente social do município Silmaire Cruz Tarantella, prevê que o curso tenha a duração de um ano. Além de ser totalmente gratuito, as alunas ainda recebem o vale transporte e o uniforme para as aulas. “As mulheres ingressam nos cursos após passarem pela Sebes”, explica Darlene Tendolo.
Descentralizar
Em pouco mais de um mês de aulas práticas, os benefícios vistos já têm estimulado a Sebes a fazer planos para ampliação do programa. De acordo com a titular da pasta, a ideia é, em um futuro bastante próximo, descentralizar as aulas pelos bairros.
A presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, Gisele Moretti, que também esteve ontem presente no lançamento oficial do “Mulheres Que Brilham”, ressaltou a importância desse curso gratuito.
“O atendimento à mulher está passando por uma evolução muito boa em Bauru. Essas aulas não incitam a violência. Elas garantem mais confiança para as mulheres”, comenta.
O vereador Markinho da Diversidade (PMDB), que foi o autor da ideia em uma audiência pública, também destacou que não é somente o ganho físico que as aulas de autodefesa trarão. “O marido vai saber que a mulher está capacitada tanto fisicamente quanto emocionalmente. Isso é muito importante para elas”, conclui.
Entre alunas, há mulheres de 68 anos e algumas que sofrem agressões diárias
Em pouco mais de um mês de aulas, o professor Carlos Adalberto Murça se impressiona com as histórias que ele ouve de suas alunas. “Eu chego abalado em casa. Esse é, sem dúvida, o maior trabalho marcial que eu já participei”.
O programa de defesa pessoal a mulheres tem alunas de todas as idades.
“O requisito é que seja maior de idade. Porém, temos alunas de até 68 anos. Isso foi algo que nos surpreendeu”, relata o professor.
Além de mulheres que choram ao relembrar situações vividas, há outras que precisam ir escondidas dos maridos para o curso. “Há mulheres que sofrem agressões todo dia”, revela.
Segundo Adalberto Murça, as agressões físicas que as suas alunas relatam impressionam pelo grau de covardia. “Tem mulher que conta que o companheiro jogou gasolina e ateou fogo nela. Realmente, é algo impressionante”.
