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Doença silenciosa pode deixar cego

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

O glaucoma é uma doença crônica do nervo óptico, em que o paciente perde boa parte do campo de visão antes de sentir qualquer sintoma. É o que explica o oftalmologista do Hospital de Olhos da Beneficência Portuguesa de Bauru, Fabiano Alves Neves. Ele aproveitou a proximidade da Semana Mundial do Glaucoma, entre 9 e 15 de março, para divulgar a importância da prevenção da doença.

 

Segundo Neves, a parte frontal dos olhos contém um líquido denominado humor aquoso, que tem por função banhar e nutrir as diferentes partes dos olhos. Normalmente, este líquido é drenado por diversas vias e câmaras. Quando uma dessas vias é bloqueada, ele fica retido nos olhos, o que causa um aumento da Pressão Intraocular (PIO), um dos principais fatores de risco associados à doença. “O paciente com glaucoma não tratado começa a perder a visão periférica, ou seja, quando o indivíduo olha para frente, enxerga nitidamente os objetos distantes, mas não vê o que está nas laterais. Seria como se os olhos estivessem observando por um tubo. Nos estágios mais avançados, a visão central também é atingida, desencadeando cegueira total”, explica.

 

Por conta disso, a prevenção é mais do que necessária. Para aqueles que já foram diagnosticados com a doença e ainda têm parte da visão, nem tudo está perdido. Neves conta que, embora não haja cura, existem três tipos de tratamento: colírios, laser ou cirurgia. Porém, a terapia inicial e a mais usada é à base de colírios. Há vários tipos destes medicamentos no mercado, mas apenas um oftalmologista seria capaz de indicar e orientar o uso adequado de qualquer um deles.

 

“Na maior parte das vezes, o tratamento é feito à base de colírios que controlem a pressão dos olhos. Porém, alguns pacientes não respondem a esse tipo de terapia e têm de se submeter ao laser ou à cirurgia para o controle do glaucoma, que não tem cura. Além disso, quando há perda total da visão por conta da doença, não há mais o que fazer”.

 

“Agora consigo ler”

 

Ana Santina de Castro Roiz, que hoje tem 77 anos, descobriu que estava com glaucoma após ter dificuldades para leitura. Em 2003, quando passou por uma consulta regular com o oftalmologista, foi detectada uma pressão ocular elevada, o que levou ao diagnóstico da doença. “Eu nunca cheguei a usar óculos, meus olhos sempre foram bons, mas a partir de certo tempo, percebi que não conseguia mais ler”, afirma.

 

Por sorte, Ana foi diagnosticada a tempo e não chegou a perder toda a visão, como nos casos mais graves. Ela faz um tratamento com colírios oculares. Terapia esta que vai durar por toda a vida da paciente. 

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