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Sambódromo precisa ser reavaliado e reforçar segurança

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

 

 

 

 

 

A festa de alegorias e adereços ganhou o público, sobretudo o dos bairros mais periféricos, mas a presença de milhares de pessoas no espaço construído no início da década de 90 exige alterações em organização e logística. Este é o principal elemento da avaliação pós-Carnaval tirada entre representantes de diferentes secretarias da Prefeitura de Bauru, logo após a Quarta-feira de Cinzas, com a presença de órgãos da gestão indireta, como Emdurb, além de Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.    

 

A multidão que lotou as arquibancadas do Sambódromo de Bauru nos dois dias de desfiles do Carnaval 2014 vai exigir do poder público modificações em logística e estrutura para garantir segurança e comodidade para as próximas agendas. Além disso, a ocorrência de tumulto em um dos dias do desfile foi o alerta para a tomada de providências que garantam controle do público e preservação do espetáculo.

 

Além disso, o desafio que permanece, no mesmo patamar, é de combinar modificações com ocupação do Sambódromo para além de dois eventos do ano na cidade. “Ao mesmo tempo em que a presença da multidão reforça a festa popular e traz exigências naturais em logística e segurança, é fundamental pensar em como utilizar o Sambódromo além do Carnaval e do Desfile de 7 de Setembro. É muito pouco uso para o equipamento”, reconhece o prefeito Rodrigo Agostinho.

 

Revista pessoal

 

Segundo a organização, o Sambódromo recebeu 52 mil pessoas em dois dias de desfile das escolas de samba, sendo 25 mil no sábado e 27 mil na segunda-feira. Com tanta gente, um dos temas discutido foi a necessidade de revista pessoal no público.

 

Mas a Polícia Militar de Bauru argumenta que a ação, reconhecida como eficaz para prevenção, depende de modificações na forma de acesso para entrada e saída do público. O capitão Fabiano Serpa observa: “A revista pessoal é viável se houver completo e absoluto controle dos pontos de acesso de entrada e saída do local. Hoje o público acessa as arquibancadas por diferentes pontos e sem controle”.

 

O secretário municipal de Cultura, Elson Reis, pondera que em reunião com as secretarias de Obras, Desenvolvimento, Sear e Emdurb saíram algumas propostas. “É uma série de medidas que colocamos na mesa e que foram repassadas para avaliação dos demais órgãos de segurança, como a Polícia Militar. Uma alternativa é criar um corredor com aqueles tubos plásticos de trânsito com a geração de dois pontos específicos para acesso. Pela rua dos Abacateiros, o público teria de acessar esses corredores nas proximidades, na rua, para acessar a arquibancada. Aqui se cria a oportunidade de revista pelo pelotão da polícia”, sugere.

 

Mas a mudança teria de vir acompanhada de outras ações. “Tem de modificar pontos de logística em nome da segurança. Para criar os corredores, as barracas dos ambulantes teriam de ser deslocadas de 10 a 15 metros para a rua dos Abacateiros. Hoje as barracas ficam no meio do tumulto, se houver alguma ocorrência. E essa área lateral hoje ocupada pelas barracas criaria uma área de escape”, conta Reis.

 

Confinamento

 

Elson Reis conta que a Polícia Militar sugere fechar outros pontos de acesso, como a melhoria de alambrados. “Mas a gente não vai fechar. Acho que os corredores na rua para acesso obrigatório é uma saída mais viável. Alambrado ou qualquer sistema de cerca para acessar a arquibancada geraria confinamento e o Corpo de Bombeiros, por exemplo, sugere que o público esteja livre para se movimentar em caso de algum tumulto”, amplia.

 

Mas a administração municipal quer preparar para o próximo ano, reunindo ação da Polícia Militar e da imprensa, campanha de orientação contra o uso de garrafas no Sambódromo. “Também está na lista de mudanças uma campanha para avisar que ninguém deve levar garrafa ou lata em isopor ou sacola térmica que isso não será permitido. É para minimizar o uso de garrafa em eventual ocorrência, como dois grupos de jovens utilizaram contra policiais”, posiciona.

 

O capitão Fabiano Serpa antecipa que os eventos de massa contarão com tolerância zero para a presença de objetos como garrafas e latas. “Isso já está previsto em lei estadual para eventos de massa e vamos aplicar rigorosamente no Sambódromo”.

 

A transferência de barracas da área lateral à arquibancada para a rua dos Abacateiros, de outro lado, exigiria outra providência. É que esta rua, no Núcleo Geisel, hoje é utilizada para o retorno à concentração do caminhão de som utilizado nos desfiles. O secretário disse que vai ponderar junto à Secretaria de Obras a expansão do acesso atrás dos camarotes.

 

“Hoje o espaço atrás do camarote já está bastante acessado. Mas terá de ser uma área maior para circulação com uma faixa para deslocamento rápido e seguro de ambulância, viaturas dos Bombeiros e Polícia, o que também vai melhorar o fluxo de veículos credenciados da imprensa”, posiciona Elson.

 

A Polícia Militar ainda solicitou modificações viárias nas ruas próximas ao Sambódromo. “No desfile de sábado do Carnaval uma senhora grávida teve espasmos e a entrada e deslocamento da Viatura do Samu foi muito difícil. Sugerimos mudanças para resolver esta questão”, mencionou.

 

Efetivo de policiamento

 

O prefeito Rodrigo Agostinho está insatisfeito com o número de policiais presente no Sambódromo para o público de 52 mil pessoas nos dois dias de desfile. “É pouco policial para a concentração de público nesse porte. A Polícia Militar não pode ficar esperando que o aumento do policiamento em eventos de massa saia do contrato da atividade delegada. É preciso garantir mais policiamento para festas de massa. É a segurança da população que está em jogo”, criticou.

 

Fabiano Serpa ponderou que o efetivo foi adequado para o evento. “Tivemos 25 mil pessoas no primeiro dia e 27 mil no segundo, com a presença de 115 homens da Polícia Militar. E o trabalho de segurança preventiva foi bem realizado. A presença de maior contingente depende de outras medidas. Veja que pudemos contar com um grupo do Pelotão da Escola de Formação de Soldados, cuja demanda está sendo reivindicada por diferentes e importantes segmentos da sociedade civil. É uma alternativa que atende a várias frentes”, argumentou.

 

Sobre o pagamento de atividade delegada para policiamento em eventos de massa, Serpa esclareceu: “A lei é clara que a delegação de atividade pela Prefeitura é para atividades que não são de policiamento, já próprios da Polícia Militar, mas de funções que o poder público pode delegar, como fiscalização de ambulantes, por exemplo. Policiamento preventivo já é função típica da Polícia Militar”, abordou.

 

O PM lembra, por comparação, que para jogos de futebol o contingente policial destacado é bem menor que um evento como o desfile carnavalesco. “Porque, diferentemente da estrutura física do Sambódromo, no estádio há área sem acesso para as torcidas para camarotes e imprensa, as torcidas ficam em áreas separadas e, para jogos de maior importância, é possível separar entrada de torcidas por portão diferente. No Sambódromo é tudo aberto”, comparou.

 

Logística e organização

 

 

Entre outros pontos estruturais para a organização da festa, a administração discute a disponibilização de mais opções de banheiro, de melhorias nas áreas de camarote e cabeamento. 

 

De outro lado, prefeito e secretário de Cultura esperam habilitação pela Liga das Escolas de Samba. "O mínimo que o governo espera para um evento vitrine desse porte é que a Liga esteja com a documentação em dia e se prepare com antecedência para o Carnaval e para a realização da festa", pede Rodrigo Agostinho. 

 

O secretário Elson Reis saliente que, todo ano, o ônus fica por conta das críticas aos jurados. "A Prfeitura tem de se dedicar à estrutura da festa, mas a Liga tem de se resolver e assumir a indicação dos jurados. Isso é questão da disputa e não do governo. A administração tem cada vez mais dificuldades para escolher jurados que não sejam cortados pelas escolas e para convidar pessoas com conhecimento e disponpiveis para julgar. Mas isso é papel que tem que ser assumido pelas escolas", pede Reis. 

 

O direito de arena é outro tema em discussão, mas de forma ainda embrionária. "Disponibilizamos espaços para placas e vendas de bebidas e salgados para as escolas, mas ninguém utilizou. A Liga precisa se organizar para o tamanho do evento", finalizou Edson.

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