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Aos usurpadores

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Meu recado hoje vai para os usurpadores. Eles que, com mandatos vigentes pelo usurpado Brasil afora, passam a mão grande no respeitável dinheiro público. Quer saber? Que feio!

Prezado usurpador: tenho uma filha de cinco anos. Quando ela estiver mais mocinha, teremos em casa que tratar de certos assuntos. Em outros tempos, o desafio ficava reservado a temas como sexo. Foi-se esse tempo.

Constrangedor mesmo será quando tivermos de falar sobre o péssimo uso das arrecadações. Como vou explicar nossa esperança roubada por gente a quem confiamos o voto? Falar de sexo? Fácil. Mas como admitir que, do ponto de vista da ética, ainda somos indecentes?

O noticiário vai botar pressão: "Pai, vejo por aí e não entendo! Por quê filas e filas em corredor de hospital se pagamos tantos impostos justamente para não ter a fila?" "Por quê as empresas têm que dar tanto pro governo e ficam sem dinheiro para investir e gerar empregos melhores?" "Pai: se todo mundo concorda que educação integral ajuda a criança a ficar longe do crime por quê isso não vira logo realidade geral?"

Como se vê, usurpadores também travam nossa capacidade de dar respostas aos filhos. Incrível: gerações mudam, mas nada altera o curso do desvio da grana da saúde, da educação e da segurança.

O Brasil tem chance. Mas estar estável em aspectos relevantes não deve servir de névoa a encobrir nossa visão para os desmandos dos pobres poderes. Que os filhos dos usurpadores se rebelem pela força da consciência: "Pai: você não pode fazer isso! Esse dinheiro é do povo!".

Aí, garoto. Boa, garota! Façam isso pelos brasileiros de bem. Botem seus pais usurpadores contra a parede. Quem sabe vocês eles ouvem? Quem sabe, assim, devolvem a esperança toda que, um dia, foi usurpada de nós.

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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