Ciências

O ?jammer? e a solidão atual

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Eu não gosto de bom senso

Eu não gosto dos bons modos

Não gosto

 

Eu aguento até rigores

Eu não tenho pena dos traídos

Eu hospedo infratores e banidos

Eu respeito conveniências

Eu não ligo pra conchavos

Eu suporto aparências

Eu não gosto de maus-tratos

 

Eu aguento até os modernos

E seus segundos cadernos

Eu aguento até os caretas

E suas verdades perfeitas

 

Eu aguento até os estetas

Eu não julgo competência

Eu não ligo pra etiqueta

Eu aplaudo rebeldias

Eu respeito tiranias

E compreendo piedades

Eu não condeno mentiras

Eu não condeno vaidades

 

Eu gosto dos que têm fome

Dos que morrem de vontade

Dos que secam de desejo

Dos que ardem!

 

Privacidade era bom senso, tecnologia acabou com ela. A hora que quiser, todos sabem de tudo! Há um “bom” senso comum: queremos tecnologia mesmo às custas da privacidade. Você imagina sem celular ou computador? Nem dá para acreditar que existia vida antes da internet! 

 

Por anos minhas avaliações foram individualizadas e as pessoas respondiam provas via internet até o prazo estipulado, depois eram desconsideradas! O computador comparava as respostas e grau de semelhança acima de 20% em perguntas do mesmo assunto recebiam zero. Se alguém ensinava ou respondia pelo aluno, nunca me importei: alguém aprendeu! Mas ele te enganou; não, enganou a si mesmo! E, lá na frente, a vida cobrará dele! É apenas questão de tempo, acredite nisto.

 

Avaliações contemporâneas servem para testar se a pessoa está preparada para a vida e não se tem boa capacidade de memória: deixemos isto para os computadores, a não ser em situações especiais! Perguntas e problemas visam testar a capacidade de se virar, resolver problemas e situações, propor soluções e não escrever coisas decoradas. Avaliações devem induzir buscas e interpretações para “educar para a vida”.

 

Um grande amigo de inquietudes tecnológicas mostrou-me o “jammer” e eu “jamais” soube que existia. O aparelho do tamanho de um maço de cigarro “desliga”, inibe ou confunde as transmissões de celulares, radares, rastreadores de veículos e pessoas em um raio de 30 metros. Ninguém consegue fazer ligações ou receber, nem mesmo satélites e radares. Um discreto teste em uma conferência foi chocante!

 

Professores estavam indignados, pois alunos faziam cola via celular e foram surpreendidos. Já fui muito contra colas em tempos distantes, mas hoje sou a favor. Mas tem que ser bem feitas, de rolinhos escritos com letras bonitas em linhas retas para facilitar a consulta. Fazer a cola, aprender usar e testar representa uma forma eficiente de estudar o conteúdo; algumas são verdadeiros bancos de informações! Ao se comunicarem são solidários e ajudam ao outro: isto é fraternidade, compartilhamento e atender a necessidade do próximo. 

 

Um “jammer” resolveria o problema destes professores: todos na sala ficariam incomunicáveis. Na mente humana contemporânea pode ser motivo de loucura ou piração! Uma verdadeira negação dos tempos atuais, parece verdadeira ficção de tempos remotos. - Você poderia usar isto em suas aulas e cursos, ninguém se comunicaria. Respondi: - e nem prestariam atenção em nada do que diria! 

 

Ninguém mais “aceita” ficar incomunicável: se o celular estiver desconectado parece que nos falta alguma coisa orgânica! O oxigênio fica rarefeito e convulsões mentais substituem a lógica. A plateia ficaria irrequieta, desmotivada e sairiam a todo momento para testar se o celular está “pegando”. Ninguém aceita ficar desconectado, mesmo às custas da perda de privacidade e segurança! Pesquisa da OCDE revelou que em vários países o conceito atual de solidão para a grande maioria é estar desconectado da internet.

 

O “jammer” na internet custa R$110 e bandidos burlam alarmes e rastreamentos de caminhões, carros e prisões. Alguns compram para entretenimento nos cinemas, shoppings, escolas e congressos. Existem os aparelhos antijammer que inibem seus efeitos ao custo de R$500 e um aparelhinho a mais para carregar! Em qualquer lugar, como na escola: o professor levaria o jammer e o alunos o antijammer: que loucura, um game eletrônico real! 

 

Usar “jammer” no trabalho, hospital, comércio, cinemas, estádios e igrejas será condenar muitos, mesmo que transitoriamente, à solidão atual: é justo?

 

Observatório

 

Feromônios – As abelhas rainhas, assim como as vespas e formigas, impedem que as operárias se proliferem na colônia, mas isto ainda não estava esclarecido quanto ao mecanismo. As rainhas liberam um hormônio volátil que atua no ambiente impedindo o desenvolvimento dos ovários das demais componentes do grupo. Estes hormônios voláteis relacionados à libido e procriação são conhecidos como feromônios. O segredo das rainhas no mundo das abelhas, vespas e formigas foi desvendado em artigo publicado na “Science” por pesquisadores belgas da Universidade de Leuven, do qual participaram cientistas brasileiros. Na biologia humana os feromônios ainda são muito pouco estudados.

 

Medicina Unesp – Os números apresentados pela Unesp no que tange ao seu vestibular revelaram que na Medicina de Botucatu, o curso mais procurado no país de todas as universidades, os cotistas formados nas escolas públicas tiveram nota igual à dos não cotistas: 91,1 e 92,2, respectivamente. Nos demais cursos houve uma diferença maior: os não cotistas obtiveram uma média de 57 pontos, 13 pontos a mais que os cotistas. Das vagas da Unesp, 15% são reservadas aos formados em escolas públicas.

 

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