Internacional

Bachelet assume segundo mandato na Presidência do Chile

Agência Brasil
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Oito anos depois de ter passado para a história como a primeira presidenta do Chile, Michelle Bachelet assume terça-feira (11) seu segundo mandato, com alto índice de aprovação popular e muitos desafios. O principal vai ser satisfazer a alta expectativa dos eleitores, que querem uma reforma mais drástica e rápida do sistema educacional.

 

No âmbito internacional, um dia após a posse de Bachelet, Santiago vai sediar uma reunião de chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul)  para discutir a crise na Venezuela. A Nova Maioria - coalizão de partidos de centro-esquerda que elegeu Bachelet -  está dividida. Os mais conservadores criticam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pela violência, que resultou em 21 mortes, após os protestos populares contra o desabastecimento e a inflação. A ala mais liberal acredita que o descontrole é fruto de um complô da direita para derrubar Maduro do poder.    

 

"O maior desafio de Bachelet vai ser baixar a expectativa do eleitorado: ela poderá fazer algumas mudanças, mas nenhuma tão rápida como muitos esperam", disse em entrevista à Agência Brasil o analista politico Patricio Navia. Um dos empecilhos é a própria Constituição, herdada da ditadura de Augusto Pinochet, que só permite mudanças drásticas com o apoio da grande maioria.

 

"Bachelet tem maioria simples na Câmara dos Deputados e no Senado, que lhe permite aprovar uma reforma tributária, para arrecadar mais impostos dos ricos e distribuir melhor a riqueza do país", disse Navia. "Mas ela não tem os dois terços necessários para reformar a Constituição".

 

 Em comparação aos países vizinhos, o Chile é um exemplo: a economia tem crescido, em média, 5% ao ano, o desemprego é baixo e a inflação praticamente inexistente. Nos últimos 25 anos de democracia, o índice de pobreza baixou de 40% para 10%. Mas os chilenos estão muito mais exigentes hoje do que há quatro anos, quando Bachelet entregou a faixa presidencial a Sebastian Piñera - o primeiro presidente de direita desde o retorno à democracia.

 

 Os líderes estudantis, que foram às ruas em 2011 pedindo educação gratuita e de qualidade para todos, já avisaram que vão pressionar até conseguir o que querem.

 

Uma reforma assim vai levar tempo, diz Patricio Navia, porque o Estado vai ter que assumir demasiados gastos de uma só vez - justamente agora que a economia mundial está crescendo menos. Mas uma reforma que Bachelet pode fazer - e que tem o apoio da oposição - é a reforma tributária.

 

 "O Chile tem uma carga tributária baixa: cobramos cerca de 20% dos lucros das empresas. A ideia é aumentar até 25%, nos próximos anos, e usar o dinheiro para melhorar a situação de quem menos tem", disse Navia.

 

Dilma vai à posse

 

A presidenta Dilma Rousseff participa, na próxima terça-feira (11), da posse da presidenta eleita do Chile, Michelle Bachelet. A socialista chilena volta à Presidência após governar o país entre 2006 e 2010, quando o atual presidente, Sebastián Piñera, assumiu o posto.

 

As cerimônias de posse ocorrem no Congresso Nacional do Chile, que fica na cidade de Valparaiso, a 120 quilômetros de Santiago, e no Palácio Presidencial de Cerro Castillo, na vizinha Viña del Mar. Bachelet terá por desafio cumprir promessas como a reforma da Constituição.

 

Quando eleita, Michelle Bachelet foi parabenizada por Dilma, que manifestou desejo de que “Brasil e Chile possam trabalhar juntos por uma América do Sul cada vez mais forte”. Segundo a presidenta brasileira, ambos os países têm muito a cooperar, e compreendem claramente o papel da integração sul-americana.

 

A presidenta Dilma ainda pode participar, no Chile, da Mesa de Alto Nível sobre o desenvolvimento da América Latina e do Caribe. O evento, marcado para quarta-feira (12), será em Santiago, na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e deve contar com a presença das presidentas chilena e brasileira, além de José Mujica, presidente do Uruguai.

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