Gleb Garanich/Reuters |
|
|
Yanukovitch diz que exército não deve obedecer governo 'fascista' |
O presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovich, disse, nesta terça-feira (11), que continua sendo o chefe de Estado legítimo e o comandante-em-chefe das Forças Armadas de seu país.
Em entrevista coletiva na cidade de Rostov do Don, no sul da Rússia, Yanukovich denunciou que a Ucrânia "está nas mãos de um grupo de ultranacionalistas e neofascistas" que querem "provocar uma guerra civil".
"Os oficiais e soldados não vão obedecer ordens criminosas de um governo imposto por um golpe de Estado", afirmou.
O presidente deposto acusou as novas autoridades ucranianas de "querer incorporar nas Forças Armadas guerrilheiros de formações nacionalistas e entregar-lhes armas".
"Sob a fachada de um suposto governo legítimo no país, atua um grupo de ultranacionalistas e neofascistas, que já vislumbram a presidência", disse Yanukovich.
Em sua segunda aparição perante a imprensa desde que se refugiou na Rússia após sua destituição, em 22 de fevereiro, pelo parlamento da Ucrânia, Yanukovich negou toda legitimidade das eleições presidenciais convocadas neste mesmo dia.
"As eleições presidenciais convocadas para 25 de maio pelo grupo que usurpou o poder como resultado de um golpe de Estado anticonstitucional, são absolutamente ilegítimas e ilegais", opinou.
Yanukovich criticou também os políticos ocidentais que apoiam as novas autoridades ucranianas. "Estão cegos, esqueceram o que é o fascismo?", perguntou.
O ex-mandatário ucraniano atacou o governo dos Estados Unidos por prometer ajuda financeira ao novo Executivo ucraniano.
"Não tem direito, segundo suas próprias leis, de enviar dinheiro para criminosos", disse Yanukovich em referência ao governo do presidente americano, Barack Obama.
O presidente deposto acrescentou que pedirá ao Congresso, ao Senado e à Suprema Corte dos Estados Unidos que avaliem as ações da Casa Branca.
Sobre seu futuro, mostrou-se otimista: "Assim que as circunstâncias permitirem, e tenho certeza de que não será preciso esperar muito, retornarei sem falta a Kiev".
Crimeia
Em nenhum momento, porém, Yanukovitch mencionou o referendo previsto para domingo, com o respaldo de Moscou, para anexar a península da Crimeia à Rússia e até pareceu não concordar com a postura de Moscou.
"As ações de vocês tiveram como consequência a separação da Crimeia e, mesmo sob a ameaça das armas, a população do sudeste está exigindo respeito", declarou aos novos dirigentes do país.
"Vamos superar esses distúrbios. O país vai recuperar-se e reconquistar a unidade", disse.
Os deputados do Parlamento da Crimeia adotaram hoje uma declaração de independência da Ucrânia, etapa prévia ao referendo de domingo para permitir a anexação à Rússia.
"Uma declaração de independência da república autônoma da Crimeia e da cidade de Sebastopol foi aprovada por 78 dos 81 deputados presentes", afirma um comunicado do Parlamento, que é considerado ilegal pelas autoridades de Kiev.