Duas famílias foram retiradas de um terreno irregular, localizado na quadra 24 da avenida Comendador José da Silva Martha, Vila Santista, em Bauru, durante uma reintegração de posse realizada na manhã desta terça-feira (11).
Durante a ação, estiveram presentes dois oficiais de Justiça para o cumprimento da ordem judicial, assistentes sociais da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) e policiais militares.
Douglas Reis |
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Móveis das famílias foram retirados por funcionários da Prefeitura de Bauru |
A ação de despejo seguia na Justiça desde 2010, sendo autorizada este ano a emissão e desocupação. Conforme a reportagem apurou, o terreno é de espólio, conjunto de bens que integra o patrimônio deixado por alguém e que será partilhado entre herdeiros ou legatários.
No terreno foram construídas duas casas pequenas, onde moravam, há cerca de dois anos, a família de Antônio Cícero Lopes, 50 anos, e de Brenda Thaina Reinaldo, 19 anos.
A mobília das duas famílias foi retirada por funcionários da prefeitura e foi levada para o local onde irão morar provisoriamente. Já as casas construídas foram demolidas
Despejados
Antônio Cícero, 50 anos, está desempregado e morava no terreno há um ano e meio com seu filho e sua mulher, que é portadora de deficiência física. Segundo ele, um colega informou sobre o terreno e propôs que, se pagasse R$ 200,00 de aluguel, não seria despejado do imóvel.
“Eu morava com minha mãe e vim para esse local com minha família. É muito triste isso e muita humilhação. Para mim, é uma vergonha ter a Polícia Militar aqui como se fôssemos bandidos. Os vizinhos passam e acham que é algo. Eu pagava pela casa”, contou.
De acordo com a mãe de Antônio, que não quis ter a identidade divulgada, a família ficará na casa dela até que arrume outro lugar. “É muita humilhação ser despejado e não quero meu filho assim, sem lugar para ficar. Só acho que não precisava da Polícia Militar. É muita humilhação para nós que trabalhamos honestamente e nunca nos envolvemos com coisa errada”.
Já Brenda morava na casa construída na frente da que Antônio residia. Além dela, moravam no local seu marido e duas crianças. Após o despejo, ela irá residir com o sogro. “Começaram a avisar a gente em janeiro e o tempo é muito curto. Vou para a casa do meu sogro durante esse período, pois ele mora aqui perto. O ruim é que vieram aqui e avisaram que eu tinha quatro dias para retirar os móveis e isso é pouco tempo”, alega.
Secretaria do Bem-Estar Social
Duas assistentes sociais acompanharam a reintegração de posse e, segundo elas, que preferiram ter as identidades preservadas, desde dezembro de 2013 as famílias foram avisadas para procurarem a residência, pois a Sebes pagaria os aluguéis até que tivessem um imóvel para morarem.
“Nós disponibilizamos até um hotel, em caso emergencial, e eles recusaram. Ontem, todos foram até a Sebes e afirmaram que irão para casas dos familiares. Tentamos ajudar, mas eles não quiseram”.
Polícia Militar
Uma equipe policial foi acionada para acompanhar a ação de despejo e realizou patrulhamento preventivo caso houvesse resistência. “As famílias aceitaram sair do local de forma pacífica e estamos aqui para prevenção. A Polícia Militar está apenas acompanhando a reintegração”, afirmou o tenente Luiz Dionisios Miranda.
Douglas Reis |
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A ação de despejo seguia na Justiça desde 2010 e desocupação foi autorizada este ano |