O Ministério de Minas e Energia divulgou nesta quarta-feira (12) uma nota em que considera o risco de desabastecimento no País como “baixo”. Em 13 de fevereiro, última vez que a pasta publicou nota sobre o assunto após reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), esse risco havia sido considerado como “baixíssimo”.
O texto foi lido à imprensa pelo secretário de Energia Elétrica do ministério, Ildo Grüdtner, que, assim como fez no início de fevereiro, leu a nota e saiu sem responder as perguntas dos jornalistas.
No mês passado o texto dizia: “Portanto, a não ser que ocorra uma série de vazões pior do que as já registradas, evento de baixíssima probabilidade, não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no País em 2014”. Ontem, o trecho também estava na nota divulgada - apenas a palavra “baixíssima” foi trocada, para “baixa”.
No texto lido pelo secretário, o governo diz que o sistema elétrico “apresenta-se estruturalmente equilibrado, com sobras, em termos de balanço energético geração e transmissão” e explica que o início do período úmido de 2014 caracterizou-se pela “presença persistente de um sistema de alta pressão no oceano, que vinha impedindo o avanço de frentes frias vindas do Sul. Com isso não ocorreram chuvas previstas nas principais bacias hidrográficas, onde se localizam os reservatórios das hidrelétricas”.
A pasta diz que desde a segunda quinzena de fevereiro, esse fenômeno climático “vem se enfraquecendo”, provocando chuvas “fracas” nas bacias hidrográficas da região Nordeste, “fracas e moderadas” nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e “médias” nas regiões Sul e Norte.
Consumidor pagará em 5 anos ajuda de R$ 1,2 bi a distribuidoras
O governo informou que vai repassar para o consumidor, ao longo de cinco anos, a conta do socorro que foi dado na última sexta-feira para as distribuidoras de energia elétrica, de R$ 1,2 bilhão. Essas empresas estavam com dificuldades de caixa para bancar o custo extra da energia gerada pelas termelétricas.
A energia está sendo usada por causa da forte seca que atingiu o País no início do ano e impediu a recuperação dos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Para suprir a deficiência dessa geração, todas as térmicas, que são mais caras e poluentes - usam carvão, gás e óleo combustível -, tiveram de ser ligadas.
Em 2013 essa conta ficou perto de R$ 10 bilhões e os repasses, que deveriam começar a recair sobre as tarifas neste ano, foram segurados pelo governo, para não aumentar o preço da energia.
Racionamento
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse nesta quarta-feira (12) que antes de terminar o período chuvoso, no fim de abril, não há possibilidade de se aplicar nenhuma medida de racionamento.
“Antes de abril não se toma nenhuma medida, porque a antecipação pode gerar um custo de arrependimento muito grande”, disse. “Você incomoda o consumidor desnecessariamente com a redução de consumo, que também representa perda adicional para a distribuidora. A receita diminui.”
Segundo Chipp, a situação atual é “preocupante, mas não chega a ser crítica”. Ainda é possível chegar ao mês de abril dentro das perspectivas do governo, de atingir volume médio de 43% de abastecimento nos reservatórios.
Assim, sem precisar que chova acima da média no período seco, os reservatórios conseguiriam atingir o mês de novembro abastecidos de 30% a 40%, percentual considerado suficiente para atender os consumidores.
“Se pode chegar a um valor menor (que 43%) em abril, desde que se tenha uma hidrologia mais favorável de maio a novembro. Quanto mais baixo chegarem os reservatórios em abril, mais eu preciso de chuva no período seco.”