Um conselho: Noroeste um dia será apenas lembrança. Na minha vida, assim como com a grande maioria das pessoas, existem situações e decisões que tomei das quais me orgulho e outras das quais, sinceramente, me arrependo. Creio ser algo natural para quem vive e toma decisões. Mas confesso que com o passar dos tempos tenho ficado cada vez mais saudosista. Deveria ter aproveitado mais na minha adolescência os tempos que ficava com minha avó, ou com as tias, das quais não mais tenho na minha presença, apenas em meu coração. Lembro-me bem das minhas viagens de trem pela Fepasa e hoje sei que não dava o verdadeiro valor que aqueles momentos me proporcionava, nossa, que aventura, às vezes a locomotiva quebrava e durava horas para que se desse uma solução.
Hoje, quando passo próximo ao pátio ferroviário de Triagem e vejo aquele abandono, aquelas sucatas deteriorando no tempo, penso comigo por que não aproveitei mais aquela estrutura, ou aqueles momentos que hoje sei, eram mágicos. Às vezes me convenço que jamais passaria pela minha cabeça que um dia aquela ferrovia, principalmente os trens de passageiros, iria acabar daquela forma, não podia adivinhar o futuro, embora um olhar um pouco mais cuidadoso me daria sinais de que um dia, sim, viajar de trem seria apenas um momento turístico, mas a Fepasa, essa não teria muitos anos de vida. Lanço essa reflexão como um alerta, um conselho, um aviso para as pessoas, sobretudo para os pais, apresentem ao seus filhos o Esporte Clube Noroeste enquanto ele ainda está aí, de pé, jogando, ativo, enquanto é tempo, se é que já não o fizeram, pois lamentavelmente temo pelo futuro do clube. Veja, sou Noroestino fanático e estou com medo.
Nada tenho contra a atual gestão do clube, pelo contrário, são corajosos, estão trabalhando e lutando, mas com esse time, com esse futebol, a tabela não mente, estamos caindo para a quarta divisão e, sinceramente, tenho medo de que esse golpe o clube realmente sinta. E aí, um dia, esse clube guardará sua história mágica e nós seremos privilegiados por ter acompanhado a luta de um clube aguerrido, mas na prática serão recordações que levaremos conosco, em nossas memórias, nossos corações.
Antes que alguém responda que estou errado, eu já digo, meu amigo, quero estar errado, quero ler que sou e estou muito pessimista, amo esse clube e quero ele forte, mas confesso, tá difícil estar otimista, tomara que eu esteja errado, de qualquer forma, não tirem de vocês a chance de poder afirmar que um dia viram no Alfredão a gloriosa Maquininha em ação e jamais tirem isso de seus filhos, ainda dá tempo.
Ricardo Alexandre Fahl