Moradores de Araraquara (127 km de Bauru) correm contra o tempo para tentar o tombamento de uma fazenda centenária no distrito de Bueno de Andrada.
A fazenda Periquito pertence à Usina Santa Cruz e, por mais de 30 anos, abrigou cerca de 40 famílias que trabalhavam nos canaviais.
Com a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, os funcionários foram dispensados e realocados em outras funções. Após a retirada das famílias, a usina pretende demolir as 40 casas e uma igreja com mais de 100 anos.
“As casas foram construídas pela usina há 30 anos”, contou o filósofo Rogério Tampellini, que encaminhou o pedido de análise para tombamento da fazenda.
“Mas a igreja Santa Angela já estava lá: tem mais de 100 anos”, disse o arquiteto e urbanista Cláudio Bauso. “Ela representa o nascimento de Araraquara, os anos de prosperidade da ferrovia que passava pelo distrito.”
A catequista Silvia Mara Motta, 42 anos, é uma das moradoras que terá de deixar a fazenda. Ela dava aulas de catequese na igreja e afirmou lamentar a demolição.
A Usina Santa Cruz informou que, depois de retirar as famílias da colônia, irá demolir as casas e a igreja. No local, pretende recuperar o solo para ampliar a sua plantação de cana-de-açúcar.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelo setor sucroenergético na região é justamente conseguir terras para plantar. São cada vez mais raras. E caras.
Renato Haddad, secretário da Cultura de Araraquara e presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de Araraquara (Compphara), disse que analisa o tombamento. No entanto, afirmou não haver previsão para a análise e a legislação municipal não impede que o bem seja alterado durante o estudo.
Provisório
Em Ribeirão Preto, o Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac) tombou provisoriamente dois casarões na região central da cidade.
Mesmo sendo por enquanto provisório, os proprietários ficam impedidos de fazer alterações sem autorização.