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73% dos brasileiros não se sentem estimulados a realizar doações

Carla Araújo
| Tempo de leitura: 6 min

O brasileiro não tem a cultura de realizar doações, seja por falta de tempo ou recursos, de acordo com a pesquisa Retrato da Doação no Brasil, realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e a Ipsos Public Affairs. Segundo o levantamento, 73% não se sentem estimulados pelo seu círculo de convivência (família, comunidade, escola e trabalho) a fazer doações ou trabalho voluntário.

De acordo com a diretora executiva do IDIS, Paula Jancso Fabiani, o aumento da renda média da população não tem refletido no porcentual da população que doa. "Um dos motivos que pode explicar essa tendência é a percepção do brasileiro de que o governo está preenchendo essa lacuna, com políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família", pondera.

Quando costumam realizar doações em dinheiro, a maioria dos brasileiros (60%) doa para pedintes de rua ou para igrejas.

O levantamento mostrou ainda que os brasileiros alegam como razão para não realizarem doações, para 58% é a falta de dinheiro, enquanto que 18% afirmaram que não doaram porque ninguém solicitou e 12% porque não confiam nas organizações.

A pesquisa também apontou que 85% dos entrevistados não recebeu nenhum pedido de doação provenientes de organizações nos últimos 12 meses. "Esse número indica que também falta a ?cultura de pedir? por parte de quem precisa dos recursos", afirma Paula. "Esse resultado reforça a percepção de que há muito espaço para o crescimento das doações, a partir de um trabalho de captação estruturado e persistente", completa.

Para a diretora executiva do IDIS, outro ponto de destaque do levantamento é que 84% dos brasileiros desconhecem os mecanismos de doações dedutíveis do Imposto de Renda. "Atualmente a dedução praticamente só pode ser realizada quando a doação é para projetos via leis de incentivos ou Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fumcad). O ideal é que haja a ampliação do incentivo fiscal para dar liberdade para o doador beneficiar diretamente as organizações da sociedade civil", complementa Paula.

A pesquisa foi realizada em três etapas e ouviu mil pessoas em cada fase, em 70 cidades do Brasil, sendo nove regiões metropolitanas. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, com coeficiente de confiança de 95%.

O que você precisa saber antes de fazer doações

Seriam os brasileiros pessoas generosas? A se fiar nas estatísticas disponíveis, nem tanto, diz Dalen Jacomino em artigo publicado no site filantropia.org. Ainda segundo o artigo, dados apresentados pela Centro de Pesquisa Motivacional, revelam, por exemplo, que 54% dos jovens brasileiros querem ser voluntários mas não sabem como começar. Os motivos são diversos. Em geral, as pessoas fazem doações ou contribuições por pressão do grupo, culpa, obrigação ou por prazer. "Seja qual for o seu motivo, é preciso encarar o ato de caridade como um negócio, que envolve pesquisas prévias, definição de metas e acompanhamento dos resultados. Mas, fique atento", diz Jacomino. Em seu artigo, Dalen seguir, Jacomino dá dicas para quem quer começar.

1) Aprenda com os erros dos outros

Se você não tem experiência no assunto, vá com calma. Afinal, ninguém quer ver seu dinheiro escorrer pelo ralo. Primeiro, aproxime-se de quem já está habituado a fazer doações, como amigos, vizinhos ou representantes da comunidade. Aprenda como essas pessoas executam as contribuições. Tire suas dúvidas, peça dicas, questione, discuta vantagens e desvantagens.

2) Defina a área que mais precisa de sua ajuda

Você já pensou em ajudar crianças e adolescentes carentes? Ou, então, em contribuir com projetos de recuperação do meio ambiente? Que tal bancar parte do tratamento de doentes de câncer? Todas essas áreas precisam muito de ajuda, mas você deve escolher uma. Essa decisão é resultado de sua própria reflexão.

3) Em que região deve estar localizada a entidade beneficiada?

O próximo passo é a escolha da área geográfica. Muitas pessoas preferem estar bem próximas das entidades que ajudam: a creche do bairro ou a entidade que abriga deficientes físicos da própria cidade. Nesse caso, há uma vantagem. Você poderá verificar no dia a dia, como suas contribuições serão aplicadas.

4) Monte uma lista das entidades candidatas à doação

Esta etapa é a mais trabalhosa. Apesar de já ter em mente o perfil da instituição que pretende apoiar, é preciso definir uma. Para isso, comece com um levantamento de todas as entidades que se enquadram nas características traçadas anteriormente. Se você não tem idéia, visite o site www.filantropia.org ou consulte as registradas nos conselhos Municipal e Estadual. Estes últimos são órgãos, compostos por representantes do governo e pela população, que acompanham e auxiliam o trabalho de algumas entidades beneficentes.

5) A visita às instituições pode ser fundamental

Depois da pesquisa, escolha duas ou três
instituições que mais se adequam aos seus critérios e faça uma visita. Descubra qual é a essência do trabalho desenvolvido.
Peça também uma lista das pessoas que estão na linha de frente da entidade. Conheça melhor suas idéias e seus valores. Não tenha vergonha de pedir informações sobre as finanças da entidade. Pergunte se as contas são controladas por alguma auditoria periódica. Peça para dar uma olhada nos balanços. Se o trabalho for sério, a direção da entidade não terá problema algum em apresentar esses dados.

6) Desenvolva um trabalho em conjunto com a entidade

Definido o nome da instituição, é hora de você começar a trabalhar em parceria. Um roteiro de como serão feitos os investimentos, qual o retorno que se espera do projeto, prazos etc. Em alguns casos, quando se sabe qual será o projeto beneficiado, é possível organizar um calendário de doações. Elas podem até ser realizadas em etapas e não de uma só vez.


7) Esteja atento aos resultados

Não pense que sua participação chegou ao fim. Se você desistir agora, pode pôr tudo a perder. Para qualquer doação ser eficaz, você precisa acompanhar os resultados. Para estar ligado, peça informes periódicos para a entidade. Dados como o número de pessoas beneficiadas pelo projeto, o que foi concluído e o que ainda falta. Dessa forma, você corre menos riscos de ver seu dinheiro aplicado em projetos ineficazes.


8) Você não é o dono da bola só porque fez uma contribuição à entidade

Tenha cuidado para não inverter os papéis. Não é porque você fez uma doação para determinada entidade que poderá entrar lá e comandar tudo do seu jeito. É preciso respeitar o trabalho da instituição e até ajudar com seu conhecimento ou experiência, mas sem mudar o que já é feito com eficiência.

9) Talvez você possa ser um sócio-contribuinte

Você não tem tempo para fazer tudo isso. Sua carga horária no trabalho e com as atividades em casa está totalmente tomada. Você não tem condições de acompanhar os resultados do projeto e nem manter um contato mais próximo com a entidade. Há ainda uma última saída. Você pode tornar-se sócio-contribuinte. Nesse caso, você escolhe a entidade e faz doações periódicas. Nos fundos dos conselhos municipais e estaduais ou da Criança e do Adolescente, por exemplo, a própria comunidade realiza a fiscalização periódica sobre o destino das verbas recebidas. Não há necessidade de um acompanhamento mais intenso.

10) Seja voluntário

Você pode ainda contribuir com entidades beneficentes sem fazer doações em dinheiro. Seja um voluntário. Para isso, aproveite seu conhecimento ou experiência em determinada atividade e ponha isso em prática. "O voluntário de hoje pode ser o doador de amanhã", afirma Stephen Kanitz, organizador do Prêmio Bem Eficiente. Se você não souber por onde começar, na Internet (www.voluntarios.com.br) há uma lista de mais de 4.850 entidades que precisam de seu trabalho.

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