Internacional

Ásia: piloto fez contato com sistema já desativado

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Um importante sistema de sinalização do avião desaparecido da Malaysia Airlines já havia sido desligado antes da última conversa entre o piloto e o controle de tráfego aéreo, afirmou neste domingo (16) o governo da Malásia.

Na comunicação, o comandante disse "tudo bem, boa noite". Pouco tempo depois, a aeronave sumiu do radar.

Como é impossível que o sistema tenha sido desligado acidentalmente, o piloto sabia que não estava "tudo bem" neste contato. Isso significa que mentiu ou que foi coagido a mentir -talvez por um sequestrador.

O fato reforça as investigações sobre o piloto e o copiloto. Uma hipótese estudada é de que um dos dois tenha mergulhado o avião num ato de suicídio -levando consigo as outras 238 pessoas a bordo (227 passageiros).

Neste sábado (15), a casa do piloto Zaharie Ahmad Shah, em Kuala Lumpur, passou por revista da polícia, que não deu detalhes sobre a ação. Um simulador de voo foi encontrado no local.

Aviões comerciais usam um sistema de rádio ou satélite para enviar informações que só pode ser desabilitado manualmente -o que requer alto nível de conhecimento técnico.

O premiê do país, Najib Razak, afirmou que a aeronave, um Boeing-777, foi desviada de seu rumo de forma deliberada, o que levantou especulações sobre sequestro. Depois disso, o avião ainda teria voado por sete horas.

Buscas

Neste domingo (16), as autoridades malasianas informaram que as buscas pelo avião foram ampliadas para uma área ainda maior, que inclui 25 países, segundo o ministro da Defesa malasiano, Hishammuddin Hussein.

Com base em indicações de que a aeronave desviou drasticamente sua trajetória para oeste, o foco das buscas deixou de ser o sul da China e passou a dois corredores.

Um deles, ao norte, vai até o sul do Cazaquistão; o outro, ao sul, vai da Indonésia em direção ao Oceano Índico.

O porta-voz de uma das unidades dos Estados Unidos que participam da busca, comandante William Marks, disse em uma entrevista que a busca no oceano Índico era como "procurar por uma pessoa em algum lugar entre Nova York e Califórnia".

As possibilidades de falha mecânica ou erro do piloto parecem estar descartadas. De acordo com a Malaysia Airlines, piloto e copiloto não pediram para voar juntos, o que diminui a possibilidade de que o desaparecimento tenha sido uma ação coordenada entre os dois.

O voo ia de Kuala Lumpur (Malásia) a Pequim (China) com combustível suficiente apenas para a jornada. Das 239 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes, 154 são chineses.

Imprensa faz cerco às casas de pilotos

Tanto o capitão Zaharie Ahmad Shah, 53, quanto seu copiloto, Fariq Abdul Hamid, 27, do voo 370 da Malaysia Airlines, viviam nos subúrbios de Kuala Lumpur, na Malásia.

Desde o sumiço da aeronave e com investigações reforçadas sobre os dois, as residências de ambos foram cercadas por jornalistas.

A polícia tem feito perguntas à família e aos amigos do piloto Zaharie e fez uma busca em sua residência.Vizinhos de Hamid, mais velho de três filhos, descrevem o copiloto como "gentil" e disseram que ele frequenta, quando possível, a mesquita local.

    



    


 

Comentários

Comentários